quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Saturação de Potássio (K) da CTC a pH 7,0 com KCl

Com a aplicação, em adubação corretiva, em toda a área, de cloreto de potássio com um teor de 60% de K2O, podemos calcular que esta adubação contribuiu para aumentar o teor de potássio no solo e saturar de potássio a CTC a pH 7,0 a uma determinada percentagem.
Seja um solo que apresenta o valor T igual a 7,2 cmolc/dm³ e o teor de potássio é de 0,08 cmolc/dm³. Foram empregados, neste solo, como adubação corretiva por hectare, a quantia de 400 kg de cloreto de potássio que possui 60% de K2O.


Vamos calcular quanto de K2O fornece os 400 kg de KCl (cloreto de potássio)
Em 100 kg KCl temos .......60 kg K2O
400 kg KCl teremos ................. X .......
X = (400 x 60) / 100 = 240 kg K2O
Por outro lado, considerando os pesos atômicos do potássio K=39 e do oxigênio O= 16 (arredondamos), calcularemos quantos g/ha de potássio (K) representa os 240 kg de K2O.
K2O ------------------ K2
(39x2) + 16 --------- (39x2)
em 94 kg K2O .......... 78 kg K
em 240 kg K2O ............ X.....
X = (94 x 240) / 78 = 199 kg/ha K = 199.000 g K/ha
Considerando que 1 hecatre de solo à profundidade 0-20 cm tem 2.000³ ou 2.000.000 dm³:
199.000 g k ........ 2.000.000 dm³
..........X...........................1 dm³
X = (1 x 199.000) /2.000.000 = 0,0995 g/dm³ K
cmolc/dm³ K = peso atômico (g)/valência/100
cmolc/dm³K = 39 g/1/100 = 0,039 g/dm³

1 cmolc/dm³ K ..................0,39 g/dm³
..........X..............................0,0995 g/dm³
X = (0,0995 x 1) / 0,39 = 0,25 cmolc/dm³ K
Como o solo já tem 0,08 cmolc/dm³ K ele ficou com 0,33 cmolc/dm³ (0,25+0,08).
Para saber que percentagem da CTC foi saturada com potássio:
Em 7,2 cmolc/dm³ ................. 0,08 cmolc/dm³ K
............ X ....................................0,33 cmolc/dm³ K
X = (0,33 x 7,2) / 0,08 = 4,58%

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Compostagem - Manter a Relação C/N

No processo de compostagem é necessário conhecer os teores de nitrogênio (N) e carbono (C) de cada um dos resíduos utilizados; para determinar-se a relação C/N. Sabe-se que os microorganismos aproveitam 30 partes de carbono para 1 parte de nitrogênio. Por isto, é que se diz que a relação C/N de 30:1 é a mais indicada para a mistura. Mas nem todo material orgânico é aproveitado pelos microorganismos: eles aproveitam 10 partes de carbono para a sua biomassa e as outras 20 partes são perdidas na forma de gás carbônico, no processo de respiração. A relação inicial de 30:1 acaba caindo para 10:1. A prática é combinar materiais com C/N alta com materiais de relação C/N baixa.
Para se calcular quantas partes de material rico em carbono devem ser colocadas para cada parte de material rico em nitrogênio, utiliza-se a fórmula abaixo:
Onde:
Nn = % de N do material rico em N;
Cn = % de carbono (C) do material rico em N;
Nc = % de N do material rico em carbono;
Cc = % percentagem de carbono do material rico em carbono

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Cálculo da Quantidade de Fertilizantes Orgânicos - Sólidos e Líquidos

As cascas de café, por serem ricas em nutrientes, devem retornar ao cafezal; elas contêm, para cada um quilo de cascas, 15 g N, 0,1 g P e 25 g de K.
Os materiais orgânicos utilizados no plantio devem ter sua relação C/N avaliada. Materiais ricos em carbono conduzem a uma falta de nitrogênio se não for utilizada uma fonte nitrogenada. Nos materiais orgânicos, os nutrientes, com exceção do potássio (K), estão na forma orgânica. É preciso uma decomposição e mineralização da matéria orgânica para liberar estes nutrientes para o solo. Por outro lado, a absorção de nutrientes pela planta, também é lenta. Isto é vantajoso porque não são necessárias adubações parceladas, e as perdas de nutrientes, por lixiviação, é bem menor.
Os materiais orgânicos devem ser analisados antes de aplicá-los na lavoura, porque varia de espécie para espécie, os teores de nutrientes; assim como os materiais oriundos de animais. A relação C/N é importante para sabermos o estágio provável de mineralização da matéria orgânica. Os fertilizantes orgânicos podem ser sólidos ou líquidos. Para calcular as necessidades dos mesmos utilizamos as fórmulas a baixo:
1) Fertilizantes orgânicos sólidos:

NFO = necessidade de fertilizante orgânico sólido aplicado ou a aplicar em kg/ha; g/planta;
A = quantidade de nutriente aplicado ou a aplicar em kg/ha ou g/planta;
B = teores de matéria seca MS % do fertilizante orgânico;
C = teor do nutriente na MS (%);
D = índice de conversão dos nutrientes, conforme tabela abaixo.



2) Fertilizantes orgânicos líquidos:

NFO = necessidade de fertilizante orgânico sólido aplicado ou a aplicar em kg/ha; g/planta;
C = concentração do nutriente no fertilizante orgânico em m³/ha ou L/planta
D = índice de conversão dos nutrientes.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Adubação do Maracujazeiro para o Rio de Janeiro - Parte 3

Esta é a terceira postagem que publicamos sobre a adubação do maracujá; nela vamos abordar o Estado do Rio de Janeiro. Na “Adubação do Maracujazeiro – Parte 1 – foi comentada a adubação para os Estados da Bahia e São Paulo; na “Adubação do Maracujazeiro – Parte 2 – foi a vez da adubação para o Estado de Minas Gerais.
O maracujá responde muito bem à adubação, sendo o nitrogênio e o potássio os nutrientes absorvidos em maiores quantidades pela cultura. Chamamos a atenção do produtor, mais uma vez, para a análise do solo,

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Adubação do Maracujazeiro para Minas Gerais - parte 2

Na postagem O Maracujá (1) aborda as adubações para os Estados da Bahia e São Paulo. Através de tabelas, as recomendações foram feitas em quantidades de fertilizantes – uréia, supersimples e cloreto de potássio - de acordo com a análise do solo.
Nesta publicação “O Maracujá (2)” vamos tecer considerações sobre o Estado de Minas Gerais. O maracujazeiro absorve grandes quantidades de nutrientes: o nitrogênio (N) ao redor de 205 kg/ha/ano; o potássio (K2O), 221 kg/ha/ano. Por outro lado, a exportação destes nutrientes pelos frutos é a seguinte: nitrogênio, 44 kg/ha; o potássio, 89 kg/ha.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Adubaçao do Maracujazeiro na Bahia e São Paulo - Parte 1

A planta de maracujá prefere solos areno-argilosos, com pH entre 5,0 e 6,5, temperaturas médias de 25-26 °C, e uma precipitação pluviométrica anual de 800 a 1.750 mm, bem distribuídos mensalmente. Além disto, para florescer, requer uma luminosidade de onze horas diárias. Se plantado em abril/junho, floresce em setembro e a colheita começa em  novembro. O maracujazeiro  responde bem à adubação. O nitrogênio e o

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Postagens sobre Adubação do Maracujazeiro

Atendendo várias solicitações de leitores, estaremos publicando no período de 15 a 22 deste mês, três postagens sobre adubação do maracujazeiro:
Dia 15 - adubação para os Estados da Bahia e São Paulo;
Dia 17 - adubação para o Estado de Minas Gerais;
Dia 22 - adubação para o Estado do Rio de Janeiro.
Esperamos atingir nossos objetivos e que os prezados leitores gostem dos mesmos e que sirvam de informações para os mesmos.
BlogBlogs.Com.Br

F47QW9USRJKV

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Utilização do KCl para Saturar em K a CTC a pH 7,0

A adubação corretiva com potássio serve para saturar a CTC a pH 7,0 de um solo com este nutriente. Muito importante quando se quer elevar a saturação com potássio através de uma adubação corretiva. Para isto precisamos calcular a quantidade de cloreto de potássio (KCl) por hectare.
Seja um solo que apresenta uma CTC a pH 7,0 (T) de 6,25 cmolc/dm³. O teor de potássio (K) é de 0,06 cmolc/dm³ e queremos saturar esta CTC em 4% de K.
Em 100% corresponde .....6,25 cmolc/dm³
4% corresponderá ------------- X -------
X = (4 x 6,25) /100 = 0,25 cmolc/dm³ de K
Ora o solo já tem 0,06 cmolc/dm³ de K. Falta acrescentar (0,25-0,06) = 0,19 cmolc/dm³ de K.
cmolc/dm³ = peso atômico (g)/valência/100
cmolc/dm³ K = 39/1/100 = 0,39 g/dm³ = 390 mg/dm³
1 cmolc/dm³ K corresponde ..........0,39 mg/dm³
0,19 cmolc/dm³ K corresponderá a .......... X .........
x= (0,19x0,39)/1 = 0,074 g/dm³ de K
Sabemos que 1 ha de solo na profundidade de 0-20 cm tem 2.000 m³ de terra = 2.000.000 dm³.
Então, 0,074 g de K corresponde ........1 dm³
..............X g de K corresponderá........2.000.000 dm³
X= (2.000.000) x 0,074) / 1 = 148.000 g/ha K ou 148 kg/ha de K
Temos que transformar, agora K em K2O. Vamos utilizar o peso atômico do potássio que é 39 e do oxigênio 16 (arredondamos).
K2O --------------- K2
(39x2) + 16------(39x2)
em 94 kg/ha K2O temos 78 kg/ha de K
--------X -------------- 148 kg/ha K
X = (148 x 94) / 78 = 178,35 kg/ha de K2O
Resta agora calcular a quantidade de KCl a ser utilizada. O cloreto de potássio tem 60% de K2O.
Em 100 kg KCl temos .........60 kg de K2O
-----X kg KCl teremos...... 178,35 kg de K2O
X = (178,35 X 100) / 60 = 297,5 arredondando 300 kg/ha de KCl

"Portanto, 300 kg/ha de Cloreto de Potássio, aplicado como adubação corretiva, em toda a área, vai elevar o teor de potássio no solo de 0,06 para 0,25 cmolc/dm³ promovendo uma saturação em potássio da CTC a pH 7,0 em 4%".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cálculo da Percentagem de Saturação de Cátions do Solo

Tendo a CTC a pH 7,0 e os teores Ca, Mg e K no solo, podemos calcular a percentagem de saturação destes cátions.

O solo apresenta uma CTC a pH 7,0 de 6,25 cmolc/dm³ e teores de Ca = 8; Mg = 2 e K = 9; estes expressos em mmolc/dm³. Como o valor T está expresso em cmolc/dm³, temos que transformá-lo em mmolc/dm³. Para isto basta multiplicá-lo por 10.
T = 6,25 cmolc/dm³ x 10 = 62,5 mmolc/dm³
% saturação de Ca = (100 x Ca) / T = (100x8) /62,5 = 12,8%

% saturação de Mg
= (100 x Mg) / T = (100 x 2) /62,5 = 3,2%

% saturação de K = (100 x K) / T = (100 x 9) / 62,5 = 14,4%
Vimos que a relação C/Mg é de 4:1. Na correção do solo devemos observar esta relação. O calcário a ser utilizado, de preferência um dolomítico que contém cálcio e magnésio; ou a mistura com um calcítico para manter a relação Ca/Mg.
Quanto ao potássio (K), a percentagem de saturação está baixa e deve ser aplicada, no solo, uma correção de potássio em toda área utilizando o cloreto de potássio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Mamoeiro (2) - Adubação via Fertiirrigação

Na postagem "O Mamoeiro (1) - Calagem e Adubação via Solo" abordamos três tabelas de recomendação de nutrientes necessários e as quantidades de fertilizantes minerais para repor estes nutrientes. Nesta postagem vamos comentar a adubação via água (fertirrigação) e a periodicidade de aplicar os nutrientes durante o ciclo da planta. É claro que a consulta as Tabelas 1, 2 e 3 são necessárias.
A adubação por fertiirrigação tem uma série de vantagens: aplicação na hora que a planta necessita de um determinado nutriente; menores perdas de nutrientes por lixiviação, fixação e por volatilização.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Mamoeiro (1) - Calagem e Adubação via Solo


O Brasil é o maior produtor mundial de mamão; a produção é de 1,8 milhão de toneladas (IBGE-2007). Os Estados principais produtores são a Bahia, no extremo sul, e o norte do Espírito Santo. Os tipos mais cultivados são o comum, o papaya, e o formosa. O solo ideal para a cultura do mamão é aquele que apresenta uma textura areno-argilosa: solos com 15 a 35% de argila e 15% de areia; solos profundos, permeáveis e com bom teor de matéria orgânica. O pH deve estar em torno de 5,5 a 6,7. Os fatores climáticos que infuem no cultivo do mamão são: temperatura e umidade relativa do ar; disponibilidade de água durante todo o ciclo. A cultura desenvolve bem em regiões com temperaturas médias de 25 °C e limites entre 21 e 33 °C. A precipitação pluviométrica deve ser de 1.500 mm por ano e com boa distribuição todos os meses. Onde há sistema de irrigação pode ser plantado todo ano. Caso contrário, no período das chuvas, e dias nublados. O mamão é muito exigente em água, e o produtor deve ter um sistema de irrigação onde não há chuvas periódicas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quanto se adiciona de Ca e Mg pela Calagem

A prática da calagem visa eliminar a acidez do solo para permitir que a planta absorva os nutrientes que ela precisa para o seu crescimento e produção. Além disto estamos incorporando nutrientes Ca e Mg ao solo. E quanto se incorpora de Ca e Mg em cmolc/dm³?

Na postagem "Mistura de calcários para manterem a relação Ca/Mg" (clique para saber mais) explicamos como se calcula a mistura de calcários calcítico e dolomítico para manter uma relação Ca/Mg.
Nesta postagem vamos dar uma regra que facilita todos aqueles cálculos. Mas sempre é bom o técnico saber como chegar às fórmulas, caso esqueça dos coeficientes abaixo.
"Para cada 1% de CaO do calcário, quando se aplica uma tonelada do mesmo, na camada de 0-20 cm, estamos adicionando 0,01783 cmolc Ca²+/dm³".
"Para cada 1% de MgO do calcário, nas mesmas condições anteriores, estamos adicionando 0,0248 cmolc Mg²+/dm³".

Admitindo-se um calcário com 28% de CaO e 12% de MgO, um dolomítico, as quantidades em cmolc/dm³ de Ca e Mg são:
28 x 0.01783 = 0,49 cmolc Ca/dm³
12 x 0,02480 = 0,29 cmolc Mg/dm³
Se você comparar este cálculo com a postagem anterior verá que em duas linhas obtivemos o mesmo resultado com o calcário dolomítico

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Importância da Relação Ca/Mg e Variações com K

Os solos dos Cerrados possuem alta acidez e baixos teores de cálcio (Ca) e de magnésio (Mg). Isto é comum tanto na camada arável como no subsolo. Nestes solos há uma pobreza de bases e altos teores de H e Al. Ora, as raízes, num ambiente como tal, têm o seu crescimento limitado, e com isto absorvem menos água e nutrientes, e, conseqüentemente, a produtividade das culturas é baixa. Para compensar esta situação, o produtor tem lançado mão da calagem que, além de corrigir a acidez do solo, provoca um aporte de Ca e Mg, e uma alteração de potássio (K) na solução do solo. Claro que a preferência, neste caso, é por um calcário dolomítico, o qual contém cálcio de magnésio.
Entretanto, deve-se cuidar na manutenção do equilíbrio entre Ca e Mg na solução do solo: o excesso de Ca prejudica a absorção de Mg, e vice-versa; o mesmo ocorre com o K. O cálcio melhora a absorção do boro (B); porém, quanto mais se usa cálcio mais boro a planta demanda.
O pH do solo pode diminuir pelas exportações de Ca e Mg, bem como pelo CO2 que é aumentado no solo pela atividade das raízes; a atividade dos microorganismos responsáveis pela denitrificação, nitrificação, redução dos sulfatos, e oxidação do enxofre (S) contribuem para diminuir o pH do solo.
Outro cuidado é a relação K/(Ca+Mg), pois quando se aumenta esta relação o pH do solo baixa e a acidez potencial é aumentada.
Em leguminosas, a calagem ocasiona um aumento do número de nódulos nas raízes, e na fixação do nitrogênio (N) do ar. Porque há um aumento da disponibilidade dos nutrientes como P, Ca, Mg e Mo, e uma diminuição do Al e Mn trocáveis no solo. O que faz um nutriente sair da fase sólida e ir para a solução do solo é a capacidade de troca de cátions e ânions. O alúmínio por ser trivalente adere facilmente à argila e não abre a mão para de lá sair. Os cátions ficam retidos com força na superfície das partículas de argila: a ordem é a seguinte: Al>Ca>Mg>NH4>K>Na. O potássio (K) foge com facilidade da argila e pode se perder por lixiviação. Um excesso de calagem pode acentuar uma deficiência de K e de micronutrientes, com exceção do molibdênio (Mo), além de causar um desequilíbrio na relação Ca/Mg, prejudicando o desenvolvimento da planta, e refletindo na produção de grãos e frutos. O uso contínuo de calcários calcíticos também afeta a relação Ca/Mg no solo. Por isto é que o produtor deve fazer a análise do solo e seguir as recomendações de um técnico no emprego da calagem. Com a calagem libera-se OH- que reage com o H+ do solo, neutralizando-o. Num solo ácido em que não se faz a correção do solo, mas somente adubação, o solo libera o Al³+ que é prejucial às plantas, provocando toxidez com reflexo no baixo desenvolvimento e produção das mesmas.
A. Moreira et al, “verificaram que a relação Ca/Mg de 4:1 apresentou a maior eficiência na nodulação da alfafa num solo Latossolo Vermelho-Escuro distrófico; e que o excesso de Ca ou de Mg acarreta uma inibição competitiva com o potássio na cultura da alfafa”.
Silva (1980) “concluiu que os melhores rendimentos de milho, sem solos do Cerrado, foram conseguidos com uma relação Ca/Mg de 3:1”.
J.C. Medeiros et al, “observaram que a altura da planta de milho no estádio inicial de desenvolvimento decresceu com o aumento da relação Ca/Mg no solo. A aplicação de corretivos de acidez com doses maiores de Ca em relação ao Mg aumentou o teor e a saturação de Ca na CTC do solo; porém não afetou o teor de K, e reduziu o de Mg”.
Pitta et al, “chegaram a seguinte conclusão: o sorgo não tem o seu desenvolvimento prejudicado quando a relação Ca/Mg é 10:1; porém o teor de Mg deve estar acima de 0.5 cmolc/dm³; no caso da soja, exigente em Mg, o teor do nutriente deve ser, no mínimo, de 1,0 cmolc/dm³ ”.

O Cálcio em solos extremamente ácidos cede lugar alumínio (Al) no complexo de troca. A saturação ideal por bases seria 65% de Ca, 10% de Mg e 5% de K. Quando o Ca está alto, o Al está baixo; quando o Ca está baixo, o Al está alto.
Há duas formas como o cálcio pode ser absorvido pelas raízes: na forma de Ca²+ na solução do solo ou nutritiva; e o cálcio queletizado da solução do solo. Além do Mg, concentrações de amônio, potássio, alumínio e manganês diminuem a absorção de cálcio provocando deficiências. O mesmo se verifica quando as concentrações de Mg são altas provocando uma diminuição da absorção do Ca.
O magnésio também é chamado de “carregador do fósforo” pois ajuda na absorção de H2PO4.
O cafeeiro tem quatro vezes mais cálcio do que magnésio; no fruto, a relação é 1:1. A relação K/Mg no solo acima de 10:1 induz a carência de Mg. O uso contínuo de fertilizantes que acidificam o solo pode facilitar a lavagem do Ca e do Mg. A relação Ca/Mg no solo considerada ótima para o cafeeiro é de 2 a 4. Para a arábica, a relação Mg/K é 2,2. No cafeeiro, os limites da relação Ca+Mg/K é de 9 a 44 podendo ir a 53.
Em geral, uma relação Mg/K entre 3 e 4 é a mais favorável para a maioria das culturas. Uma relação Ca/Mg de 5:1 é considerada boa para a maioria das culturas; abaixo de 4:1 está relacionada com a compactação do solo.
A relação adequada da relação Ca:Mg:K deve ser 9:3:1
Trabalhos de pesquisa demonstraram que à medida que se aumentou a relação Ca/Mg acima de 5:1, houve redução na produção de matéria seca da parte aérea do milho pelo efeito antagônico do Ca na absorção de Mg.
A maioria das culturas exige 25 kg/ha de Ca, enquanto as leguminosas são mais exigentes – 100 kg/ha de Ca.
O aumento do Mg na solução ocasiona uma diminuição drástica da absorção de zinco (Zn) e de manganês (Mn).
Rosolem et al, chamam a atenção para o seguinte: “quando a calagem é recomendada deve-se considerar a relação Ca/Mg como preventiva para evitar desequilíbrios, como a indicação de corretivos com relações inadequadas de Ca e Mg que podem induzir deficiências nas culturas, prejudicando o seu crescimento”.
Deve haver uma associação dos valores de Ca e de Mg da análise do solo com os valores da relação Ca/Mg do corretivo pois assim teremos um equilíbrio no fornecimento destes dois nutrientes às plantas. Antes de aplicar calcário deve-se “ficar de olho” nas relações Ca/Mg; Ca/K; Mg/K e (Ca+Mg)/K. A EMBRAPA Soja determinou as relações entre estes nutrientes na região da soja em solos do Cerrado:
Ca/Mg = 3,5 ; Ca/K = 16,0 ; Mg/K = 6,0 , (Ca+Mg)/K = 35,0


Quanto à dinâmica do Mg é semelhante a do Ca com a diferença de que é muito móvel na planta e faz parte da molécula de clorofila. Minerais primários, dolomita, sulfato de magnésio, sulfato de potássio e magnésio são os fornecedores de Mg²+ para a solução do solo.
Artigos Relacionados
funções do Cálcio e do Magnésio na planta
misturas de calcários para manter a relação Ca/Mg

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mistura de Calcários para manter a Relação Ca/Mg

Para manter a relação Ca/Mg precisamos misturar os calcários calcítico e dolomítico em quantidades que forneçam os nutrientes Ca e Mg dentro dos parâmetros da relação. Para isto precisamos conhecer os teores de CaO e MgO dos mesmos sendo que os calcíticos contém somente CaO.

Por exemplo, um solo apresenta 0,8 cmolc/dm³ de Ca e 0,2 cmolc/dm³ de Mg, portanto uma relação 4/1. Qual seriam as quantidades de calcários calcítico e dolomítico para manter esta relação. O calcário calcítico possui 55% de CaO enquanto o dolomítico apresenta 28% de CaO e 12% de MgO.
1º Passo: Vamos calcular quantos cmolc/dm³ de Ca e Mg estão sendo empregados, por hectare, com os produtos acima:
1% CaO = 1 kg de CaO/100 kg de calcário = 10 kg/1000 kg =10 kg/t
Considerando os pesos atômicos do Ca e O, respectivamente 40 e 16 (arredondado), teremos:
CaO ................ Ca
(40+16)........... 40
Em 56 kg CaO ............ 40 kg Ca
Em 10 kg CaO ..............X kg Ca
X = (10 x 40) / 56 = 7.14706 kg Ca 0u 7.147,06 g Ca
1 cmolc Ca = peso atômico (g)/valência/100. Sendo peso atômico do Ca igual a 40 e valência igual a 2
1 cmolc Ca = 40/2/100 = 0,2004 g Ca
Logo, 1 cmolc Ca corresponde 0,2004 g Ca
............... X ...................... 7.147,06 Ca
X = (7.147,06 x 1) / 0,2004 = 35.663,973 cmolc de Ca.

Em relação ao Mg teríamos:

MgO .................. Mg
24+16 ............... 24
Em 40 kg MgO ............. 24 kg Mg
Em 10 kg MgO ................... X ...
X = (10 x 24) / 40 = 6,031108 kg Mg = 6.031,108 g Mg
1 cmolc Mg = peso atômico (g)/valência/100
1 cmolc Mg = 24 g/2/100 = 0,012156 g Mg
1 cmolc Mg .................0,012156 g Mg
............ x..................6.031,108 g Mg
X = 49.142,48 cmolc Mg
Portanto, para cada 1% de CaO e MgO, a aplicação de 1 t/ha forneceria:
35.663,973 cmolc Ca
49.142,480 cmolc Mg
.

2º Passo: calcular quanto cmolc C/ha e cmolc Mg/ha fornece os totais de CaO e MgO dos calcários em análise
:
Usando o calcário calcítico com 55% de CaO
55 x 35.663,973 = 1.961.518,515 cmolc Ca/ha
Considerando que um hectare de terra, na profundidade de 0-20 cm corresponde a 2.000m³ ou 2.000.000 dm³ teremos:
1.961.518,515 cmolc Ca corresponde 2.000.000 dm³
................. X ....................................... 1 dm³.....
X = 0,98 cmolc Ca/dm³

Usando o calcário dolomítico (28% de CaO e 12% de MgO):
28 x 35.663,973 = 998.591,24 cmolc Ca/ha
12 x 49.142,480 = 589.709,76 cmolc Mg/ha
998.591,24 cmolc Ca corresponde 2.000.000 dm³
..................x.................................. 1 dm³ .....
X = 0,49 cmolc Ca/dm³
589.709,76 cmolc Mg corresponde 2.000.000 dm³
..................x................................... 1 dm³
X = 0,29 cmolc Mg/dm³
Como queremos manter a relação 4:1 e se o dolomítico fornece 0,29 cmolc Mg/dm³ precisamos 4 vezes mais de Ca ou seja 4x0,29 = 1,16
cmolc Ca/dm³.
Ora o dolomítico já fornece 0,49 cmolc Ca/dm³ e precisamos repor a diferença de 0,67 cmolc Ca/dm³ (1,16 – 0,49) com a utilização do calcário calcítico.
1000 kg calcário calcítico fornece 0,98 cmolc Ca/dm³
................. X......................... 0,67 cmolc Ca/dm³
X = 685 kg de calcário calcítico
Conclusão: para cada 1.000 kg de calcário dolomítico devemos adicionar 685 kg de calcário calcítico para manter a relação Ca/Mg de 4:1

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Fósforo no Solo e a Solubilidade dos Fosfatos

O fósforo, no solo, encontra-se na fase sólida – orgânica e inorgânica, e na fase líquida – solução do solo. Nesta solução ele está presente como ânions H2PO4 e HPO4 e sua concentração é menor que 0,01 mg/dm³. Esta é apenas uma pequena fração do fósforo total, e é a forma solúvel que as plantas absorvem. A absorção do fósforo pelas plantas se verifica sob a forma de ânions encontrados na solução do solo: o ânion H2PO4 predomina em solos ácidos e é chamado de ortofosfato primário; o ânion HPO4 em solos alcalinos e é chamado de ortofosfato secundário.
Tem sido adotada a expressão elementar de P para indicar os teores de fósforo ao invés de indicar o óxido P2O5. As plantas não utilizam nem o elemento puro e nem a forma de óxido (P2O5). É mais uma diferença acadêmica do que prática. Usam-se conversões como:
P2O5 x 0,437 = P
P x 2,29 = P2O5
Na dissociação, há formação de H+ que ocasiona um abaixamento do pH ao redor do grânulo de adubo.
Nos fertilizantes, o fósforo precisa combinar-se com hidrogênio, cálcio, oxigênio e outros elementos, porque as plantas não podem usá-lo, como os demais nutrientes, na sua forma elementar ou pura: na forma elementar, o fósforo queima-se quando em contato com o ar; o nitrogênio é um gás inerte, sem cor; o potássio se queima quando em contato com a água.
O teor de P2O5 em um fertilizante é expresso em porcentagem (%); é considerado prontamente disponível para as plantas em crescimento. Ele tem sido utilizado tradicionalmente para expressar o fósforo disponível. É chamado, também, óxido de fósforo, ou pentóxido de fósforo, ou anidrido fosfórico. Na realidade, o P2O5 nunca é encontrado como tal nos fertilizantes, mas o teor de fósforo contido neles tem sido expresso em P2O5%. É mais do ponto de vista histórico, tradição. Em ácidos onde não se verifica a presença de molécula de água ou, pelo contrário, se tem a presença de mais de uma molécula de água, ocorre o seguinte: 2 x H3PO4 = H6P2O8
3 x H2O     = H6O3
H6P2O8 - H6O3 =  P2O5
No material de origem do solo, o P encontra-se na forma mineral, em maior parte, como fosfato de cálcio. Pela ação do intemperismo e de outros fatores que atuam na formação do solo, o fósforo é liberado para a solução do solo. Parte do fósforo é “adsorvida” pelos minerais secundários, e parte é “absorvida” e incorporada pelos microorganismos do solo; isto faz com que aumente a proporção de fósforo orgânico. Apesar do fósforo total do solo ser muito grande, apenas uma parte dele está em equilíbrio com o fósforo da solução do solo, e pode ser utilizada pelas plantas durante o seu desenvolvimento. Esta fração de P total é chamada “lábil” e é avaliada através de extratores na análise do solo.
Os solos são deficientes em fósforo devido ao processo de fixação; as plantas precisam de fósforo para produzir grãos e frutos; a exportação de P pelos vegetais é grande, correspondendo até 0,5% da massa seca.
Na maior parte dos solos, a solução do solo é muito baixa em concentração de nutrientes. Entretanto nesta solução fraca passam bilhões de íons por meio de complexos de troca e processos de difusão, com a finalidade de prover as raízes das plantas e a partir delas as folhas, grãos e frutos. Porém, muitos fatores afetam estes processos: disponibilidade de água; suprimento de oxigênio; atividade microbiana; temperatura do solo; e concentração de nutrientes.
O suprimento de oxigênio é um fator muito crítico, pois faltando o oxigênio a produção de energia pelas raízes é comprometida, e, com isto, a absorção de nutrientes é limitada. É o caso dos solos inundados ou com má drenagem.
Quanto à temperatura, solos frios reduzem o processo de absorção porque a produção de energia respiratória é prejudicada. Nestas condições ocorrem deficiências de fósforo e zinco.
A rocha fosfatada é a principal fonte de fósforo: são os fosfatos naturais. Estes podem ser ígneos ou sedimentares. Os ígneos, de origem vulcânica, são de baixa eficiência agronômica; sua reatividade, no solo, é quase zero; são de baixa solubilidade nos extratores ácidos fórmico e cítrico; são insolúveis em água. As rochas sedimentares, por sua vez, formadas por depósitos de animais marinhos, são brandas, estrutura frágil, com maior substituição isomórfica; são mais reativas, pois sua solubilidade em extratores ácidos é maior, apesar de serem insolúveis em água; sua eficiência agronômica é mais alta.
Na minha opinião, considero fosfatos naturais reativos para aplicação direta na agricultura: quando forem de origem sedimentar com alta brandura; apresentarem alto teor de fósforo solúvel no ácido fórmico 2% relação 1:100; terem mais de 55% do fósforo total solúvel no ácido fórmico 2% 1:100; aplicados em pó ou submetidos a uma granulação soft que os permitam, em contato com a umidade do solo, voltarem rapidamente à forma de pó.
Para que haja aproveitamento do P pelas plantas é preciso que ocorra a dissolução da apatita: Ca10(PO4)6 + H = Ca + HPO4
Então, a eficiência do fosfato natural será maior em solos ácidos, onde o Al não seja limitante, e em solos com P e Ca baixos. Em solos com alto teor de Ca e pH maior que 5,5 esta eficiência agronômica cairá porque a reação de dissolução não encontrará condições favoráveis. Por causa disto, a indústria de fertilizantes utiliza ácidos para romper a estrutura cristalina dos fosfatos naturais pouco reativos com a finalidade de aumentar a sua eficiência agronômica.
Nos fosfatos parcialmente acidulados, oriundos do tratamento da rocha fosfatada com uma menor quantidade de ácido sulfúrico, uma parte do fósforo torna-se solúvel em água e a outra continua insolúvel em água. A Legislação de Fertilizantes, no caso dos fosfatos parcialmente acidulados, obriga garantir o teor de P2O5 solúvel em citrato neutro de amônio (CNA) + água. Os teores de P2O5 solúvel em água e total somente quando são vendidos isoladamente. Nestes fosfatos, tem-se uma liberação imediata do fósforo (vindo da solubilização) e a outra parte permanece insolúvel.
O fósforo solúvel em água reage instantaneamente no solo liberando grandes quantidade de fósforo que são adsorvidos aos colóides do solo. O fornecimento de P às plantas dependerá da reatividade do fósforo e da capacidade do solo de fixá-lo. Por isto os fosfatos devem ser aplicados no momento da semeadura, pois a ligação com os colóides do solo torna-se muito forte com o passar do tempo; além disto, os fosfatos devem ser aplicados em grânulos e na linha de semeadura para diminuir a área de contato com os colóides inorgânicos e tornar menor a adsorção.
E os fosfatos naturais reativos quando aplicados diretamente no solo? Os fosfatos naturais reativos (falo somente em reativos), pelo contrário, devem aumentar a área de contato com os colóides do solo e devem ser aplicados a lanço e incorporados ao solo.
Lembre-se! Só haverá liberação de P : quando o solo fornecer H para a reação; quando o P e Ca da solução, que foram liberados pela dissolução, sejam consumidos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como Coletar as Amostras de Fertilizantes para Análise das Garantias de Nutrientes

Na publicação anterior de 10 de novembro, comentei sobre como calcular uma mistura de adubo, partindo de uma fórmula que se deseja, e usando as quantidades corretas de fertilizantes simples – nitrogenados, fosfatados e potássicos. Nesta publicação, vamos apresentar a coleta de amostras para análise a fim de verificar as garantias de nutrientes alcançados, tanto pela mistura na propriedade como na compra de formulações já prontas.
A comercialização de fertilizantes é regida pela Legislação Brasileira de Fertilizantes e as empresas do setor têm que se adequar a mesma; além disto, as empresas possuem um rígido controle de qualidade para assegurar as garantias que expressam em suas formulações, propaganda, etc.; garantias que não podem estar abaixo do mínimo expresso pela referida Legislação.
Entretanto, muitos produtores, revendedores, cooperativas gostam de avaliar o que estão comprando. Para isto, existe a análise de fertilizantes. Para que estas análises expressem com realidade, e não com erros, há necessidade de coletar amostras representativas que mostrem, com exatidão, os nutrientes contidos nas misturas vendidas.
Vamos abordar uma série de passos que devem ser seguidos para a obtenção de amostras representativas do lote examinado.

A) No caso de sacos com 50 quilos de adubo:

1º Passo: Definir o tamanho do lote.

2º Passo: Como coletar as amostras.
1) separe de cada camada horizontal, 5 sacos e selecione um saco para amostragem;
2) os sacos devem ser tombados, no máximo 4 vezes, de um lado para o outro para haver homogeneização do produto e minimizar o efeito da segregação;
3) selecionado o saco a ser amostrado, deite-o sobre uma superfície plana e insira a “sonda” fechada através da válvula, no sentido transversal;



4) inserida a sonda por inteiro, efetue a abertura da mesma para que o produto caia nos furos (dar algumas batidas no saco para que o produto penetre nos furos);
5) feche a sonda e retire a mesma;
6) repetir a operação para todos os sacos que serão amostrados;
7) acondicionar as amostras em sacos devidamente limpos e devidamente identificados.

B) no caso de big-bags
Os big-bags apresentam uma dificuldade que é a compactação do produto, sendo difícil introduzir a sonda totalmente. Quando há compactação, que impossibilite introduzir a sonda até o último furo, deve ser descartada a amostragem.

1º Passo: definir o tamanho do lote.
2º Passo: Como coletar amostras de big-bags.
1) abra o big-bag a ser amostrado;
2) insira a sonda “fechada” no sentido vertical;
3) efetue a abertura da sonda para que o produto caia nos furos;
4) feche a sonda e retire-a;
5) a amostragem em cada big-bag deve ser feita em três pontos diferentes;
6) acondicionar as amostras em sacos plásticos limpos, e devidamente identificados.

Identificação da amostra
- Produto: garantias do produto fornecidas pelo fabricante – encontra-se na nota fiscal ou expressas na sacaria.
- Tamanho do lote.
- Quantidade de sacos amostrados.
- Local da coleta.
- Nome do usuário.
- Data da coleta.

Quarteação do produto
Após a coleta das amostras correspondente ao lote, o produto coletado deve ser quarteado.
a) Quarteação manual
1) se não possuir um equipamento quarteador, esta operação deve ser manual. Colocar a amostra coletada numa superfície limpa, homogeneizá-la bem com auxílio das mãos, ou com uma pá de pedreiro;
2) após homogeneizado, o produto deve ser dividido em quatro (4) partes, em forma de cruz – usar uma régua fina e larga;
3) descartar as duas partes dos lados opostos e ficar com as outras duas;
4) homogeneizar, novamente, estas duas partes;
5) repetir a operação tantas vezes quantas forem necessárias até obter de 1 a 1,2 kg de produto;
6) efetue a última divisão em 4 partes e acondicione cada parte em sacos plásticos limpos ou em caixas, individualmente, de 250 g de amostra.
b) Quarteador Jones
O “quarteador Jones” é um equipamento de 8 vãos de abertura, com largura mínima de 15mm cada uma; possui duas “bandejas coletoras” e uma outra bandeja “distribuidora”.
1) O produto é colocada nesta bandeja distribuidora e despejado sobre o quarteador. O conteúdo é recebido nas duas bandejas coletoras;
2) despejar o conteúdo de uma das bandejas e repetir a operação até obter uma quantidade de 1 a 1,2 kg nas duas bandejas coletoras;
3) O produto destas bandejas será quarteado, em separado. a fim de se obter 4 partes homogêneas de aproximadamente 250 g cada uma;
4) Estas amostras devem ser representativas e, após identificadas, serão enviadas a um laboratório credenciado e idôneo.

Tolerâncias

"Tolerâncias são os desvios admissíveis entre o valor encontrado na análise de um elemento químico ou outro componente do produto e o seu valor declarado ou garantido". IN n° 10, Cap. I, art. 1°, alínea XXVII do Anexo I - Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - 28/10/2004.
A Legislação Brasileira de fertilizantes prevê tolerâncias entre o resultado da análise do fertilizante e a garantia expressa pelo fabricante da matéria-prima, fertilizantes simples, e formulações que forem comercializadas no território nacional. As deficiâncias encontradas transferem às empresas produtoras, pesadas multas. No quadro acima a garantia dos elementos e o máximo de desvios admitidos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Misturando Fertilizantes Simples na Propriedade Rural

Uma das preocupações de técnicos, estudantes e produtores é como calcular as quantidades de matérias-primas de fertilizantes para que se consiga uma fórmula de adubo que se deseja ou foi recomendada para aplicar na lavoura. Muitos preferem comprar as matérias-primas e misturá-las na propriedade: para isto necessitam de um misturador. As empresas de fertilizantes fazem isto no seu parque industrial; só de que maneira mais complexa, pois precisam de granuladores, misturadores, ensacadeiras, laboratórios de qualidade, etc., e, finalmente, comercializar e entregar o produto.
Tenho recebido alguns e-mails de pessoas interessadas em misturar os fertilizantes simples na sua propriedade. Aqui vai uma série de passos a serem seguidos.


As garantias expressas na Tabela 1 são mínimas exigidas pela Legislação Brasileira de Fertilizantes. Podemos encontrar produtos com valores maiores em nutrientes. Produtos com valores abaixo do mínimo não podem ser comercializados.

Obtenção de uma fórmula 00-20-20.
Utilizaremos o cloreto de potássio com 60% de K2O, o super fosfato triplo com 42% de P2O5 e o superfosfato simples com 18% de P2O5.
O que devemos ter em mente é que toda a formulação de fertilizante é calculada para 1.000 kg do produto.
Quando se fala que um produto, no caso supertriplo, tem 42% de P2O5, isto quer dizer que em 100 kg de supertriplo teremos 42 kg de P2O5.

1° Passo:
Começamos sempre pelo potássio pois em 90% dos casos a única matéria-prima mais utilizada como fornecedora de potássio (K2O) é o cloreto de potássio (KCl).
Empregaremos a fórmula:

Logo, aplicando a fórmula acima,
KCl kg = (20/60) x 1000 = 335 kg (arredondando).
Portanto, já temos uma matéria-prima que vai fornecer os 20 da fórmula 00-20-20, ou seja, 335 kg de cloreto de potássio.

2° Passo:
Então, 1.000 – 335 = 665 kg que faltam para completar a tonelada de fertilizante misturada e que devemos partir para fertilizantes simples fosfatados a fim de conseguir os outros 20 da fórmula.
Se utilizássemos somente o supertriplo vamos chegar a uma concentração de fósforo na mistura.
Empregando a fórmula abaixo teremos:
Onde:
NF = % de nutriente na mistura.
QMP = quantidade de matéria-prima.
TN = teor de nutriente na matéria-prima.
Aplicando:
NF(P2O5) = (665x42) / 1.000 = 27,9% de P2O5. Arredondando: 28
Ora, neste caso, teríamos a fórmula de adubo 00-28-20.
Mas não queremos 28% de P2O5. Nossa meta é 20% de P2O5.
Para isto precisamos adicionar um outro fertilizante fosfatado com menor teor de fósforo. Vamos utilizar, neste caso, o superfosfato simples que contém 18% de P2O5.
Precisamos lançar mão de equações matemáticas para atingir nosso objetivo. Seja, a = supertriplo e b = superfosfato simples.
(1)   a + b = 665 ( a soma da quantidade dos dois superfosfatos deve ser 665 kg).
(2)   42a + 18b = 20000 ( a soma de cada matéria prima multiplicada pelo seu respectivo teor de nutriente deve nos dar os 20 de P2O5 que buscamos em 1000 quilos de mistura).
Se a + b  = 665  logo   a = 665 - b. Substituindo em (2):
42(665-b) + 18b = 20.000
27.930 – 42b + 18b = 20.000
-42b+ 18b = 20.000 – 27.930
-24b = - 7.930 ou  24b = 7.930
b = 7.930/24 = 330 kg de superfosfato simples.
Vimos que a = 665 – b
a = 665 – 330 ; a = 335 kg de superfosfato triplo.

3° Passo:
Aplicando as quantidade de matérias-primas utilizadas, nossa fórmula de fertilizante 00-20-20 estaria assim constituída em quantidade das mesmas e em garantias de nutrientes, conforme a tabela abaixo.


A nossa mistura 00-20-20 forneceria, também 4% de enxofre (S) e 10% de cálcio (Ca). Como lidamos com porcentagens, em cada 100 kg desta fórmula aplicada ao solo, a adição de nutrientes seria:
Zero kg de nitrogênio (N); 20 kg de fósforo (P2O5); 20 kg de potássio (K2O); 4 kg de enxofre (S); e 10 kg de cálcio (Ca).
Fácil, não é? Mas uma outra pergunta pode aparecer: e se eu quero uma mistura 05-30-15? Que tenha os três nutrientes: NPK. Então clique abaixo e acompanhe os cálculos para chegar à formulação 05-30-15.
Aqui temos a entrada do nitrogênio. É a única diferença. Mas vamos ao cálculo desta mistura de fertilizantes.

1° Passo:
Começaremos sempre do potássio.
Aplicando a fórmula do exercício anterior;


KCl = (15x60) / 1.000 = 250 kg de cloreto de potássio.

2° Passo:
Quando se tem o nitrogênio na fórmula de fertilizantes, após o potássio ele é o elemento a ser calculado em seguida. Vamos utilizar fertilizante simples nitrogenado ou nitrogenado-fosfatado.
A matéria-prima nitrogenada-fosfatada é a mais utilizada porque fornece, ao mesmo tempo, nitrogênio e fósforo. Vamos usar o DAP (diamônio fosfato) que contém 16% N e 45% de P2O5.
Precisamos 5% de N
Logo: aplicando o mesmo cálculo para achar a quantidade de cloreto de potássio, teremos:
 DAP (kg) = 5/16 x 1.000 = 312,5 kg
Entretanto, o nosso DAP fornece, além do N,  45% de P2O5.
P2O5% do DAP = 312,5 x 46 /1.000 = 14,375 kg de P2O5.
Se não quiséssemos usar DAP, poderíamos utilizar uréia, ou sulfato de amônio. Faça os cálculos usando estes nitrogenados.

3° Passo:
É o mesmo raciocínio do exercício anterior. Precisamos de 30% de fósforo e o DAP já forneceu 14,375%. Faltam, portanto, 15,625% (30-14,375). Em termos de quantidades, até agora temos 250 kg de KCl e 312,5 kg de DAP que dão um total de 562,5 kg de matérias-primas. Faltam, então, 437,5 kg de produto a ser adicionado para completar os 1.000 quilos de mistura. Vamos utilizar os superfosfatos simples e triplo.
a + b = 437,5 quilos
a = 437,5 – b
42a + 18b = 15.625
42(437,5-b) + 18b = 15.625
18.375 – 42b + 18b = 15.625
-42b + 18b = 15.625 – 18.375
-24b = -2.750 ; multiplicando por (-1) 24b = 2.750
b = 2.750/24 = 114,5 kg de superfosfato simples
a = 437,5 – b ; a = 437,5 – 114,5 = 323 kg de supertriplo
A constituição de nossa mistura 05-30-15 estaria assim formada


A nossa mistura 05-30-15 forneceria, também 5% de enxofre (S) e 6% de cálcio (Ca). Como lidamos com porcentagens, em cada 100 kg desta fórmula aplicada ao solo, a adição de nutrientes seria:
5 kg de nitrogênio (N); 30 kg de fósforo (P2O5); 15 kg de potássio (K2O); 5 kg de enxofre (S); e 6 kg de cálcio (Ca).

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Calda Viçosa

A calda bordalesa muito empregada no combate às doenças fúngicas sempre mostrou bons resultados quando aplicada em diversas culturas. Lembro-me, quando comecei a exercer minhas atividades profissionais como agente de Extensão Rural da ASCAR em Nova Prata, na serra do Rio Grande do Sul, nos anos 66, os produtores de uva utilizavam muito esta calda; a proporção era de 1:1:100, ou seja, 1 kg de cal, 1 kg de sulfato de cobre e 100 litros de água. Usavam-na também junto com outros defensivos químicos; outros produtores a utilizavam somente. Os resultados eram muito bons e não havia vinicultor que a não aplicasse nos parrerais.
Mas professores da Faculdade de Agronomia de Viçosa/UFV – MG, a partir da calda bordalesa enriqueceram-na com magnésio e micronutrientes, daí o nome “Calda Viçosa”. A composição da calda viçosa é a seguinte:
1 – Cultivos orgânicos:
50 g de sulfato de cobre (Cu)
10-20 g de sulfato de zinco (Zn)
80 g de sulfato de magnésio (Mg)
10-20 g de ácido bórico (B)
50-75 g de cal (Ca)
10 litros de água

2 – Cultivos não orgânicos:
Aqui são adicionados fertilizantes químicos como a uréia e o cloreto de potássio, mas sem considerar fonte de disponibilidade de nutrientes; são utilizados apenas para melhorar a ação dos micronutrientes. A uréia tem sido incluída para melhorar a absorção dos micronutrientes; enquanto o cloreto de potássio serve para evitar a inibição do zinco (Zn) e boro (B) pelo cobre (Cu).
A composição da calda viçosa para a preparação de 10 litros é a seguinte:
50 g de sulfato de cobre
10-20 g de sulfato de zinco
80 g de sulfato de magnésio
10-20 g de ácido bórico
40 g de uréia
50-75 g de cal hidratada
10 litros de água.
A cal é a mesma que se utiliza para pintar paredes.


No preparo da calda utilizam-se baldes de plástico ou madeira. Não use os de metal pois são corroídos pelos sais.
a) coloque a metade da água que vai na solução (neste caso 5 litros) em cada balde:
b) num balde coloque a cal dentro de um saco de pano e deixe repousar por 24 horas;
c) no outro balde, com água morna, coloque cada sal em um saco de pano e deixe dissolver por 24 horas. Por isto é bom preparar a calda na véspera da aplicação, e na quantidade que vai ser aplicada. Não utilize as sobras. A finalidade dos sacos de pano é permitir uma solubilização dos sais, e uma filtragem da solução;
d) após este período de 24 horas, misture o balde dos micronutrientes no balde da cal preparada, aos poucos, e agitando constantemente;
e) faça a aferição do pH da solução, com papel de tornassol, a qual deve ser alcalina, entre 7,5 e 8,5. Se estiver ácida adicione mais cal preparada até atingir o pH ideal.

A calda viçosa pertence à classe toxicológica IV, praticamente atóxica. É um produto de baixa agressividade ao homem e ao meio ambiente, eficiente no controle de pragas e doenças, enriquecida com Ca, Mg, e micronutrientes, de baixo custo, de fácil aplicação e manejo. No café é utilizada para combater a ferrugem, cercospora, antracnose, seca dos ramos e ponteiros. Mas seu uso deve ser preventivo, antes que as doenças apareçam na planta.
Não apresenta fitotoxicidade para as plantas; a não ser que não foram tomados cuidados como: pH ácido da calda, aplicação em dias chuvosos ou com as folhas molhadas, doses acima de 3%, aplicações fora da temperatura e umidade ideal. A temperatura ideal para aplicação é de 25-30 °C e a umidade do ar acima de 65%.
ATENÇÃO: Nunca despejar o balde de cal preparada no balde de sais, pois vai haver coagulação da calda e sua perda para o uso. Na utilização dos pulverizadores, deve haver agitação constante da calda no tanque para evitar a formação de depósitos no fundo do mesmo. Quando for procedida a mistura dos dois baldes, a calda deve ser utilizada no mesmo dia. Não use sobras de calda.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Elevar os Níveis de P no Solo pela Adubação Corretiva

Para um máximo rendimento das culturas e elevar os níveis de fósforo (P) no solo, através da adubação corretiva, se preconiza a utilização de 3 a 10 kg de P2O5 solúvel em água para cada 1% de argila que o solo apresenta, para as culturas anuais.

Qual a quantidade de fósforo, na forma de P2O5, a ser adicionada ao solo com 200 g/kg de argila, usando-se os superfosfatos simples e triplo para elevar o nível do fósforo em 8 kg de P2O5. Como o supersimples fornece enxofre (S) e o supertriplo possui na sua composição o CaO, quais as dosagens a serem empregadas nos dois fertilizantes e os teores de enxofre(S) em kg/ha e o de cálcio (Ca) em cmolc/dm³?
Temos então um solo com 200 g/kg de argila = 20% de argila
"Como se usará 8 kg/ha de P2O5 para cada 1% de argila"
8 x 20 = 160 kg/ha P2O5
1) Utilizando o superfosfato simples (SS)

100 kg SS ................. 18 kg P2O5
......X......................... 160 kg de P2O5
X = (160 x 100) / 18 = 890 kg/ha de SS
Qual o teor de enxofre (S)?
100 kg SS .............. 8 kg de S
890 kg SS.....................X........
X = (890 x 8) / 100 = 71 kg de S/ha.

2) Utilizando o superfosfato triplo (ST)
100 kg ST .......... 42 kg P2O5
......X................. 160 kg P2O5
X = (160 x 100) / 42 = 380 kg/ha de superfosfato triplo.
Em relação ao cálcio,
100 kg ST ........... 12 kg CaO
380 kg ST ...................X......
X = (380 x 12) / 100 = 45,6 kg CaO/ha
"Podemos calcular o cmolc/dm³ de Ca, multiplicando cada 1% de CaO do produto pela constante 0.01783".
45,6 kg/ha CaO x 0,01783 = 0,81 cmolc Ca/dm³ 

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Agrotóxicos - Lembretes Importantes

Destino final dos resíduos.

O preparo da calda deve ser planejado para que, após a aplicação, não sobrem resíduos, a fim de evitar desperdícios e sobras. Mas, apesar de todos os cuidados, ou quando o agricultor resolve preparar a calda sem a orientação de um técnico responsável, sempre há casos de sobras de produto; nestes casos, como proceder? O volume de calda que sobrar (o recomendado é que sobre um pequeno volume) deve ser diluído em água e aplicado nas bordaduras da área tratada e nos carreados; se o produto for um herbicida, não o repasse nas áreas tratadas, pois poderá causar fitotoxicidade. Os restos dos produtos não devem ser jogados em fontes de água – rios, lagos, etc – na estrada, ou em áreas de preservação permanente, ou perto das residências e locais dos animais. Tratando-se de produtos concentrados, o mesmo deve ser mantido na embalagem original; fechar bem a embalagem e certificar-se que assim o foi feito; após armazená-la em lugar seguro.

Produto que está vencido ou impróprio para a comercialização.
Os agrotóxicos, geralmente, têm um prazo de validade de 2 a 3 anos. Isto é tempo suficiente para serem aplicados na lavoura e serem comercializados. Mas a compra de grandes quantidades, errar na rotação de estoque, poderá fazer com que os produtos fiquem com o prazo de validade vencido; caso isto aconteça, o produtor agrícola deve consultar o fabricante no telefone que aparece no rótulo; ou o revendedor para o caso de devolução ou destino das embalagens.

Cuidados no vestir e retirar os EPI’s.
É importante a série de cuidados que devem ser tomados quando se usam produtos químicos tóxicos. O uso de uma manipulação correta dos agrotóxicos evita uma série de transtornos prejudiciais à saúde humana, dos animais e riscos ao meio ambiente. Usando cuidados corretos no manuseio e manipulação dos agrotóxicos minimizam-se bastante estes riscos. Entretanto, muitas vezes, o empregador e trabalhadores estão conscientes dos cuidados a serem tomados; os fazem corretamente; mas no final da aplicação, na hora de se despir dos equipamentos de proteção há um descuido; e os trabalhadores são expostos diretamente à contaminação pelo produto. Sabemos que podemos ser contaminados através dos olhos, nariz, boca e pele. E a retirada dos equipamentos de proteção sem uma sequência ideal pode contaminar o aplicador. A retirada dos equipamentos de proteção individual – EPI’s obedece a uma ordem que deve ser fiscalizada e orientada pelo empregador aos seus trabalhadores.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Adubação dos Citros nos Estados de Sergipe e Bahia

Os citros, no Brasil, são encontrados do Norte e Nordeste, ao Sudeste e Sul. Pelas características do solos brasileiro serem pobres em nutrientes e ácidos, a produtividade das laranjas ainda é muito baixa. Os citros desenvolvem-se melhor em solos com pH entre 6,0 e 6,5 e uma saturação por bases (V%) de 60 a 65. Por isto, esta cultura merece uma atenção melhor do produtor, com adoção de práticas modernas, visando o aumento da produtividade. Já publicamos, anteriormente, uma matéria sobre a calagem em citros mostrando os benefícios desta prática. Resta agora a adubação: e os Estados de Sergipe e Bahia serão o alvo desta matéria.

Adubação:
Para a recomendação de adubação é necessário que o citricultor tenha em mãos a análise do solo das áreas dos pomares. A análise do solo serve para conhecer o nível de fertilidade de um solo, e assim recomendar corretamente os fertilizantes. Quanto maior o número de amostras simples (subamostras) maior é a possibilidade de se ter uma amostra representativa. As plantas absorvem os nutrientes durante todo o ano, principalmente na época de floração e formação de novos ramos e folhas.Quando se aumenta a aplicação de potássio (K), utilizando o cloreto de potássio, aumenta-se a concentração de K disponível no solo.

ESTADO DE SERGIPE:

Pomar em formação:
Como aporte de fósforo (P2O5) usa-se 500 g/cova de superfosfato triplo, no plantio. Como fonte de matéria orgânica, usa-se o esterco de bovino ou torta de mamona ou esterco de galinha poedeira. O volume de esterco de bovino não deve ultrapassar 30% do volume da cova; a torta de mamona e o esterco de galinha não deve ultrapassar 10%. Quando se usa uma fonte orgânica deve-se esperar 30 dias para o plantio da muda, pois a mineralização da matéria orgânica libera calor. Em relação ao N recomendado pode-se substituir 1/3 da dose por produtos orgânicos, no plantio: 5 a 10 kg de esterco curtido, ou 3 a 5 kg de esterco de aves, ou 1 a 2 kg de torta de mamona por cova. O nitrogênio é o nutriente mais exigido pela planta cítrica durante a fase vegetativa. Na tabela abaixo sobre a recomedação de nutrientes aplicando matérias-primas, em vermelho está expressa a quantidade de supersimples, uréia e cloteto de potássio; logo abaixo, em preto, estão expressas as quantidades de nutrientes em N, P2O5 e K2O recomendadas, e baseadas na interpretação de P e K no solo. Em lugar do supersimples pode-se usar supertriplo corrigindo a quantidade a aplicar. A vantagem do supersimples é ele possuir enxofre (S) na sua composição.

Na tabela a seguir temos exemplos de como usar as fórmulas prontas de fertilizantes: basta saber em que faixas estão o P e o K no solo. Sabendo isto, usa-se a dose recomendada de P2O5 e K2O para tal faixa de interpretação e mais o N; tudo conforme a idade da planta. Obtém-se as necessidades de nutrientes, as relações simplificadas que multiplicadas por números (coeficientes) vão nos dar as fórmulas similares; e a partir destas as quantidades a aplicar.

Pomar em produção:
O nitrogênio deve ser aplicado com base na recomendação feita através de uma análise foliar; o fósforo (P2O5) e o potássio (K2O) com base no resultado da análise do solo. A quantidade de nitrogênio e de potássio deve ser fracionada em duas aplicações: no início e no final do período chuvoso; o fósforo deve ser aplicado numa única vez, no início das chuvas. Já nos pomares em formação ou em produção, pode-se usar 5 a 20 t/ha de esterco de curral, ou a 1 a 5 t/ha de torta de mamona. Os nutrientes devem ser aplicados em faixas, ao lado ou ao redor da planta. A faixa inicia 20 cm do tronco até 1,80 m do mesmo.O plantio de leguminosas entre as linhas pode ser uma opção como fornecimento de nitrogênio. O enxofre pode ser aplicado na adubação foliar – menos de 2 g/kg, usando sulfato de amônio (12% S) ou superfosfato simples (24% S). Quando o teor de magnésio, no solo, é menor que 1 cmolc/dm³, e na folha menor que 3 g/kg deve-se usar calcário dolomítico ou aplicação foliar de sulfato de magnésio de 4 g/L.
Micronutrientes:

ESTADO DA BAHIA:

Adubação de plantio:
É feita no sulco ou na cova usando-se calcário e superfosfato simples. Deficiência de boro (B) no solo - menor que 0,2 mg/dm³ - usar 1 g/m de B
Deficiência de zinco (Zn) no solo - menor que 1,2 mg/dm³ - usar 2 g/m de sulfato de zinco que pode ser aplicado junto com o supersimples.

Adubação de formação:
Inicia-se após o pegamento da muda até a idade de cinco anos. As quantidades de fertilizantes variam conforme o resultado da análise do solo e idade da planta. Pode se usar fertilizantes simples, misturas de grânulos, misturas granuladas. A uréia não deve ser aplicada em solo úmido e se seguido por mais de três dias de estiagem, pois há volatilização da amônia e perdas de N. Evitar a incorporação dos fertilizantes, por gradagem, pois danifica as raízes, cortando-as.
Adubação de produção
Começa a partir do sexto ano. Os fertilizantes são parcelados em quantidades e épocas de aplicação. Na Bahia, esta prática vai de março a agosto ou durante todo o ano se houver irrigação. Os fertilizantes devem ser colocados ao alcance das raízes para que haja um melhor aproveitamento dos nutrientes pelas mesmas. Nos citros, as adubações orgânicas e verde são recomendáveis. Os adubos orgânicos são capazes de fornecer N para as plantas. Os orgânicos nas quantidades abaixo fornecem, cada um, 10 kg de N:
2.000 kg de esterco de curral
500 kg de esterco de aves
200 kg de torta de mamona
Micronutrientes:
Nos pomares de produção os micronutrientes zinco (Zn), boro (B) e manganês (Mn) podem ser aplicados no solo ou via foliar: o boro, de preferência, por via solo; o zinco e o manganês, via foliar; utiliza-se a uréia e o cloreto de potássio como coadjuvantes nas aplicações foliares, pois melhoram a absorção dos micronutrientes. A melhor época para aplicá-los, via foliar, é durante o processo vegetativo da planta: em 3 a 4 aplicações parceladas. Na fase de produção, a primeira ocorre nos meses de janeiro e fevereiro. Quando a deficiência de boro for intensa aplicar 2 kg/ha de B em duas aplicações anuais.
Doses de micronutrientes por 100 litros de água
Zn – 300 g – sulfato de zinco
Mn – 300 g – sulfato de manganês
Cu - 250 g – hidróxido de cobre
B - 50 g – ácido bórico; ou 100 g borax
Mo - 30 g – molibdato de sódio

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Calagem nos Pomares de Citros

Os pomares de citros também se situam em solos com baixa fertilidade: baixo teor de matéria orgânica; solos, como em Sergipe, em que predomina as argilas caulinitas, 1:1, de baixa reatividade; deficiências de fósforo (P). Na maioria dos pomares não há adubação e, consequentemente, as produtividades são baixas.
Para elevar a produtividade, que traga lucro para o produtor, é necessário, primeiramente, conhecer os níveis de nutrientes do solo. Para isto é preponderante realizar uma análise do solo e análise foliar.
Os citros se desenvolvem melhor em solos com pH 6,0-6,5 e uma saturação por bases (V) de 60 a 65%. Além disto, o cálcio e o magnésio são importantes nutrientes para as plantas; daí a preferência por calcários dolomíticos. O teor de magnésio deve ser mantido, no mínimo, em 0,9 cmolc/dm3.
Coleta de amostras de solo: A análise do solo serve para conhecer o nível de fertilidade de um solo, e assim recomendar corretamente os fertilizantes. Deve-se coletar o maior número de sub-amostras para que se tenha no final, após bem misturadas, uma amostra média representativa da área do pomar.
1) em pomares instalados: as amostras devem ser colhidas na área de projeção da copa das árvores. Para isto retirar amostras 60 dias após a última adubação, na profundidade de 0-20 cm; todavia, se a amostra de solo vai ser colhida com a finalidade de conhecer as limitações de nutrientes ao desenvolvimento das raízes, a profundidade deverá ser de 20-40 cm, pois com isto vai se buscar as deficiências de cálcio (Ca), e a presença de alumínio (Al).
2) na instalação dos pomares: divide-se a área em talhões, retirando-se cerca de 20 a 25 subamostras de cada um; misturadas bem vão originar uma amostra média que deverá refletir o estado de nutrição do solo. Na coleta das sub-amostras, a área deve ser percorrida em ziguezague.
Coleta de amostras para análise foliar:
As folhas devem ser coletadas em ramos com ou sem frutos. As folhas devem ser coletadas na altura média da planta – 1,6 a 1,8 m – em cada um dos quatro lados. Os frutos dos ramos devem ter quatro cm de diâmetro; deve ser colhida a 3ª folha depois do fruto e não pode estar danificada. Para cada dez hectares de um pomar homogêneo, coletar 25 amostras. As folhas coletadas são colocadas em um saco de papel e enviadas imediatamente ao laboratório; caso não for possível, guardá-las em um refrigerador no máximo três dias.

Calagem:

Estado de Sergipe:
Para calcular a necessidade de calagem (NC) usam-se os seguintes métodos:
1) Método do alumínio (Al) trocável e elevação dos teores da Ca e Mg
Como em Sergipe, os solos são de baixo teor de matéria orgânica, presença de argilas de baixa reatividade e presença de óxidos de ferro e alumínio, este método é o mais indicado, pois o alumínio é o principal causador da acidez destes solos. Por outro lado, este método, além de neutralizar o alumínio tocável, garante um aporte de Ca e Mg, no mínimo, 3 cmolc/dm³.
NC (t/ha) = 3 x Al x f  (1)
NC (t/ha) = 2 x [3-(Ca²+Mg²)] x f  (2)
f = fator de correção do PRNT do calcário utilizado. As recomendações de calagem são para um calcário que tenha 100% de PRNT. Quando o calcário comprado não tem este valor de PRNT deve-se fazer a correção. Logo se usa f= 100/PRNT.
Calculada as duas fórmulas (1) e (2), utiliza-se, como recomendação, a dose mais elevada.
2) Método de saturação por bases (V%):
NC = (V2-V1) x T x f
T = capacidade de troca de cátions a pH 7,0
Para citros, o V2 deve ser de 70% na profundidade de 0-10 cm.
Modo de aplicação do calcário:
1) em pomares implantados, o calcário deve ser distribuído em toda área e incorporado através de gradagem superficial.
2) na implantação de pomares, o calcário deve ser distribuído em toda a área antes de ser feita a aração e a gradagem.
Quantidade de calcário por cova:
Pode-se, também, misturar parte do calcário à terra da cova.
Exemplo: tamanho da cova 40 cm x 40 cm x 40 cm (LxAxP)
40x40x40 = 64.000 cm³ = 0,064 m³
O volume de 1 ha na profundidade de 10 cm é:
10 cm = 0,1m ; 1 ha = 100 m x 100 m = 10.000 m²
10.000 m² x 0,1 m = 1.000 m³
Se a calagem recomenda 3.000 kg/ha, a quantidade por cova será:
Em 1.000 m³ --------- 3.000 kg
0,064 m³-------------------X----
X = 0,064 x 3.000 / 1.000 = 0,192 kg = 192 g/cova
Se o calcário usado tem um PRNT de 80% devemos fazer a correção do mesmo. f = 80/100 = 1,25
Então: 192 g x 1,25 = 237,5 g/cova
Utilização do gesso agrícola:
A acidez superficial apresenta alta saturação por Al³, e baixos teores da Ca² nas camadas mais profundas. Isto limita o desenvolvimento radicular da árvore. O recomendado é a utilização de gesso agrícola para corrigir a acidez superficial, pois há uma percolação, junto com a água das chuvas, dos íons Ca² e SO4². Pesquisadores, como Alvarez, indicam o uso de gesso na proporção de 25% da necessidade de calcário. Se for recomendado 4 t/ha de calcário, usa-se 1 t/ha de gesso agrícola para a camada de 10 cm. Como se busca melhorar as condições do solo até a profundidade de 40 cm, a quantidade de gesso será de quatro vezes mais, ou seja, 4 t/ha. Entretanto, em solos com menos de 20% de argilas de baixa reatividade e com baixos teores de matéria orgânica, a quantidade de gesso não deve ultrapassar 2.000 kg/ha.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Calagem e Adubação do Milho no RS e SC

A área plantada com milho no RS é de 1,28 milhão de hectares com uma produção de 5,1 milhões de toneladas alcançando uma produtividade média de 3.984 kg/ha. A FARSUL calcula que serão plantados na safra 2009/2010, 800 mil hectares; uma redução de 35%.
O baixo preço da saca de milho e a alta dos insumos estão desencorajando os produtores. Com isto, o milho vai ceder área para a soja que ganhará 500.000 para seu incremento. Há esperanças que a situação melhore nos próximos meses. O milho é uma cultura muito importante para o Estado: alimentação humana, e de animais (suinocultura e aves).

Calagem:
Os solos do Rio Grande do Sul são ácidos e para um bom desenvolvimento das plantas, que se traduza em aumento de rendimentos, é necessária a prática da calagem.
Leia mais sobre a determinação da calagem nos solos do RS.(clique aqui)

Adubação do Milho:

Nitrogênio (N):
No milho, o nitrogênio é recomendado em função do teor de matéria orgânica e da cultura antecedente.
Utiliza-se 15 kg/ha de N para cada expectativa de produção de 1.000 kg/ha. Se a cultura antecedente foi uma consorciação ou pousio utiliza-se a média de N recomendada para leguminosas e gramíneas, dentro de cada faixa de teor de matéria orgânica, e expectativa de produção.
As expectativas de rendimentos de 4, 6, 8 t/ha vão depender: do clima; disponibilidade de chuvas; semeadura em época ideal; alta densidade de plantas; irrigação; variedades de alto potencial de produção; correção da fertilidade do solo com todos os nutrientes aportados. Todas estas qualidades concorrem para uma expectativa de produção de mais de 8 t/ha.
Leia mais sobre inoculação de sementes de milho

Sistema convencional:
Recomenda-se de 10 a 30 kg/ha de N na semeadura, de acordo com a expectativa de rendimento; e o restante, em cobertura, quando as plantas apresentarem de 4 a 8 folhas; ou 40 a 60 cm de altura. Se o período for de chuvas e a dose de N for elevada, pode-se dividir a adubação de cobertura em duas partes com intervalo de 15 a 30 dias entre cada uma.

Sistema Plantio Direto (SPD):
Recomenda-se aplicar 20 a 30 kg/ha de N na semeadura quando for em resíduos de gramíneas, e 10 a 15 kg/ha de N quando o cultivo for em resíduos de leguminosas. Antecipando-se a adubação de cobertura com N para quando a planta possuir 4-6 folhas, consegue-se bons resultados. Quanto às fontes nitrogenadas, tanto o sulfato de amÔnio como a uréia proporcionaram rendimentos iguais, em aplicações superficiais. A escolha de uma ou outra fonte vai depender do custo da unidade de N de cada uma; a uréia tem 42-45% de N, e o sulfato de amônio 20% de N.

Fósforo (P) e Potássio (K)
No RS+SC, as recomendações de adubação em fósforo e potássio são estabeleciads para dois cultivos sucessivos: milho depois trigo; trigo depois soja; soja depois trigo. No caso do milho, as recomendações são estabelecidas para expectativas de produção de 4, 6 e 8 t/ha. A partir de 4 t/ha, acrescenta-se 15 kg/ha de P2O5 e 10 kg/ha de K2O para cada 1.000 kg de expectativa de rendimento. Elaboramos, abaixo, uma tabela onde o milho é plantado no 1° cultivo e novamente em sucessão, no 2° cultivo.


Na tabela abaixo, temos dois cultivos sucessivos: milho, no 1° cultivo; e trigo no 2° cultivo. Há, ainda, as necessidades de N, P2O5 e K2O em kg/ha e as fórmulas similares que podem ser utilizadas; elas fornecem as mesmas quantidades de nutrientes, apenas variando na quantidade de aplicação. A expectativa de produção de milho é de 6 t/ha, e a do trigo de 2 t/ha.


Após dois anos, uma nova análise de solo deve ser feita para verificar as condições de fertilidade do solo. É muito importante!.

Leia mais sobre "como calcular fórmulas similares"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Adubação e Calagem da Soja no RS

Calagem:
A recomendação de calagem, no sistema convencional baseia-se no índice SMP; no sistema de plantio direto a recomendação é determinada pela análise dos critérios principais: pH em água e V%; não havendo concordância entre os dois critérios, analisa-se a porcentagem de saturação por Al (m%), e o teor de fósforo no solo. Leia mais sobre isto

Adubação da Soja:

Nitrogênio:
Devido ao processo de fixação biológica do N do ar pelas bactérias do gênero Risobium, não é recomendada a aplicação de fertilizantes nitrogenados na cultura da soja.

Fósforo e Potássio:
As recomendações para fósforo (P) e potássio (K) são determinadas pela Comissão de Química e Fertilidade do Solo – RS/SC. Os assistentes técnicos das lavouras, os escritórios de extensão rural, etc, devem estar cientes das tabelas elaboradas por esta Comissão, para as diversas culturas, e assim recomendar as necessidades de adubação. A Comissão elabora tabelas visando dois cultivos em sucessão, e preconiza a prática de ser feita nova análise do solo após dois anos.
Vamos mostrar abaixo as recomendações para duas culturas em sucessão: no primeiro cultivo a soja, e no segundo cultivo, o trigo; conforme o teor de matéria orgânica e a interpretação de P e K no solo.


No trigo, a recomendação de nitrogênio (N) no plantio é de acordo com o teor de matéria orgânica; as quantidades levam em conta se a cultura antecedente foi uma leguminosa ou uma gramínea.
Convém chamar a atenção que as recomendações da Comissão para o trigo, a soja, são para uma expectativa de produção de 2.000 kg/ha.

Nosso objetivo aqui é mostrar que com as recomendações de nutrientes podemos chegar a diversas fórmulas que são similares, variando apenas a quantidade em kg/ha. Vamos supor cinco áreas de terra em que será feito um planejamento: plantio de soja no primeiro cultivo e trigo no segundo cultivo. Os dados de matéria orgânica e interpretação de P e K são hipotéticos.
Para a soja adotamos uma expectativa de produção média de 3.000 kg/ha. Para cada 1.000 kg/ha de expectativa de produção de soja, deve-se adicionar à recomendação a quantia de 15 kg/ha de P2O5 e 25 kg/ha de K2O, como fizemos no exercício. Na postagem já publicada "Encontrando fórmulas similares de adubo" mostramos como chegar às mesmas: leia aqui sobre este assunto



Como a cultura antecedente foi uma leguminosa (soja no primeiro cultivo) as doses de N, variam de 60 a 20 kg/ha conforme o teor de matéria orgãnica no solo. Mas quanto ao nitrogênio aplicado por ocasião do plantio do trigo, adotamos a dosagem de 20 kg/ha - pode-se usar de 15 a 20 kg/ha - e o restante deverá ser aplicado em cobertura.

Enxofre:
A soja responde à aplicação de enxofre (S). Em solos que apresentam teores de S inferiores a 10 mg/dm³ devem receber 20 kg/ha de S.

Micronutrientes:
A aplicação de molibdênio (Mo) deve ser feita em solos com pH em água menor que 5,5 , e quando a soja apresenta, no desenvolvimento inicial, uma coloração amarelecida generalizada das folhas; isto acontece porque o processo de fixação biológica ainda não está completamente eficiente. Uma maneira para evitar esta deficiência é, antes do plantio, misturar 12 a 25 g/ha de molibdênio com as sementes; ou quando a deficiência aparece na lavoura, aplica-se 25 a 50 g/ha de Mo, via foliar. Utilizam-se os molibdatos solúveis em água: molibdato de amônio que contém 54% de Mo; ou molibdato de sódio que possui 39% de Mo. A mistura de molibdato com as sementes deve ser feita antes da inoculação das mesmas. As aplicações foliares devem ocorrer 30 a 45 dias após a emergência.
Outros micronutrientes devem ser aplicados somente quando a análise do solo constatar deficiências de um ou mais elementos.
Entretanto, cuidados devem ser tomados quanto aos micronutrientes molibdênio e cobalto (Co): nas áreas que existe integração lavoura-pecuária, o teor de Mo nas pastagens deve ser avaliado constantemente. Sabe-se que a calagem eleva o pH, e isto aumenta a disponibilidade de Mo; por sua vez, o Mo pode afetar o metabolismo do cobre (Cu) em ruminantes. A aplicação de Mo no solo deve ser suspensa quando o teor do micronutriente, na parte aérea das plantas, atingir 5 mg/kg de Mo.
Quanto ao cobalto (Co), as quantidades a serem aplicadas não devem ultrapassar 3 g/ha de Co, para evitar a fitotoxidez para a soja.