terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Cultivo Mínimo

O cultivo mínimo, como o próprio nome, consiste num preparo mínimo do solo. O cultivo mínimo é indicado para solos não compactados, sem necessidade de calagem, de fosfatagem ou de gessagem, ou que não hajam incidências de pragas ou áreas com, sujeitas à erosão. O objetivo do cultivo mínimo é reduzir o número de operações agrícolas necessárias ao preparo do solo que antecede uma semeadura. Há uma diminuição na compactação do solo pelo simples fato da diminuição do número de movimentação das máquinas. Isto traz benefícios ao agricultor, pois o lucro aumenta em virtude do menor gastos com combustíveis, manutenção, peças, consertos das máquinas, etc. Numa propriedade rural, com várias máquinas e equipamentos, os lucros serão bem significativos.
O cultivo mínimo, em relação ao convencional, apresenta uma série de vantagens:
1) possibilidade de plantio em épocas chuvosas;
2) utilização de uma área maior de plantio;
3) redução da erosão do solo;
4) redução no uso de máquinas e equipamentos agrícolas;
5) redução nos gastos com óleos e combustíveis;
6) melhor controle das plantas invasoras.
É sabido que o preparo do solo altera as condições físicas, químicas e biológicas e visa proporcionar condições melhores para o desenvolvimento das plantas. Entretanto, apresenta uma série de desvantagens. A erosão, provocada pela água das chuvas ou pelo vento, carrega camadas superficiais de terra, levando com elas os nutrientes do solo, tão necessários ao desenvolvimento das plantas. A falta de uma cobertura da superfície e o mal manejo do solo são os responsáveis por estas perdas, aliada à compactação dos mesmos. No sistema convencional revolve-se a camada superficial, quando se faz o preparo do solo ou na incorporação de calcário e fertilizantes, no intuito de aumentar a porosidade do solo, a armazenagem de água e favorecer o crescimento das raízes das plantas, além de cortar e enterrar as ervas daninhas e o controle de patógenos do solo. Tudo isto é feito através da aração e gradagem. Mas esta prática realizada todos os anos, ou sem um bom manejo do solo, acarreta sérios problemas. O uso excessivo de máquinas e equipamentos agrícolas, no preparo do solo, aumenta a erosão, por falta de uma cobertura vegetal . A compactação das camadas superficiais, pelo uso excessivo da aração e gradagem, é outro problema, pois aumenta a erosão do solo. Disto, a impermeabilização do solo conduz a um maior escorrimento da água.
A utilização de adubos verdes e o mínimo preparo do solo contribuem para minimizar as perdas de água no solo, além de melhorar as suas características físicas. A rotação de culturas mantém o solo coberto, diminuindo a ação da erosão e melhora a fertilidade do solo, reduzindo o ataque de pragas e doenças.
No cultivo mínimo, as quantidades de passadas de máquinas e equipamentos são bem menores, provocando um menor revolvimento do solo. Somente nas linhas, onde será feito o plantio, haverá revolvimento do solo. As entrelinhas permanecerão livres, sem a movimentação de máquinas e equipamentos, o que faz com que o solo conserve as suas características.
Qual a diferença entre "cultivo mínimo", "plantio direto" e "convencional?
O cultivo mínimo é um sistema entre o convencional e o plantio direto. No cultivo mínimo, o preparo do solo é minimizado pelo menor uso de máquinas. Há um revolvimento mínimo do solo e a manutenção dos resíduos vegetais, utilizando-se, apenas, escarificação e gradagens leves. O cultivo mínimo pode ser feito através da escarificação, gradagem pesada e com enxadas rotativas. Na escarificação consegue-se manter grande quantidade da cobertura vegetal. Na gradagem pesada utiliza-se grade de discos: o solo é invertido e a vegetação incorporada. A enxada rotativa, por sua vez, consiste em cortar o solo em pequenas partes com o auxílio de lâminas rotativas. Entretanto, muitos não recomendam o uso das enxadas rotativas, pois o solo fica com nenhuma ou pouca vegetação, formando uma crosta na superfície.
O sistema de plantio direto consiste no plantio de espécies sem revolvimento ou preparo do solo com máquinas pesadas, efetuando-se a rotação de culturas e mantendo uma cobertura, morta ou palha, visando proteger o solo contra à erosão e às perdas de nutrientes.
No sistema convencional, o preparo do solo é feito com uma ou duas arações, seguidas de duas gradagens, Nas arações são utilizados discos de aiveca; a gradagem é feita com o auxílio de grades de dentes ou de discos. A gradagem com discos é a mais utilizada, pois os discos fazem o enterrio dos restos vegetais.
Na semeadura, em plantio direto, são usadas semeadoras específicas para operarem em solo com palha. Somente são abertos sulcos para as sementes. Trabalhos de pesquisa mostram que a cobertura morta, no plantio direto, é maior que no sistema convencional. Quanto às perdas de solo, elas são bem maiores no sistema convencional que no cultivo mínimo. As coletas de amostra de solo deve ser feita na camada de 0-20 cm, nos sistemas convencional e cultivo mínimo. No sistema de plantio direto, a amostra de solo deve ser coletada na camada de 0-10 cm. Santos,V.P. et al. estudando a produção de milho doce em diferentes sistemas de cultivo e rotação de culturas, no tabuleiro costeiro sergipano, que no Plantio Direto as produções de milho doce, em médias, foram maiores que nos sistemas convencional e cultivo mínimo. O convencional foi o que apresentou menor produção no número de espigas, em relação aos outros dois sistemas. Observaram, também, que as espécies Crotalária e Guandu, usadas em sucessão, propiciaram maior produtividade, em kg/ha, de milho doce quando comparado às culturas de feijão e amendoim, quando cultivadas anteriormente ao milho doce.

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