terça-feira, 29 de março de 2011

Os Efeitos das Plantas Alelopáticas

No momento que está sendo dada ênfase à rotação de culturas, plantio direto, integração lavoura-pecuária-florestas, e adoção de outras práticas sustentáveis e proteção ao meio ambiente, cabe uma preocupação e maiores estudos, pesquisas, recomendações oficiais, sobre as plantas alelopáticas. Na literatura agronômica, existem dados dos prejuízos e benefícios que as plantas alelopáticas causam à outras espécies vegetais. Os efeitos benéficos, e não somente os prejudiciais, estão dentro do contexto de alelopatia. Mas, estes dados ainda são em menor número e não traduzem uma recomendação oficial da pesquisa.

O que é alelopatia?
Alelopatia ocorre quando as plantas liberam substâncias químicas no meio ambiente que provocam efeitos no desenvolvimento ou inibição na germinação de outras espécies vegetais. As substâncias liberadas são absorvidas pelas raízes e penetram na planta. Elas podem reduzir o crescimento inicial e depois inibí-lo. As substâncias alelopáticas são encontradas em diferentes concentrações, em qualquer parte da planta e durante o período de vida dela. Liberadas em quantidades suficientes, estas substâncias causam inibição ou estimulação da germinação, crescimento e desenvolvimento da planta, e no desenvolvimento de microorganismos. A inibição ou a estimulação dependem do grau de concentração da substância alelopática. A presença destas substâncias, no solo, devem estar em concentrações ideais para causar ou não prejuízos às plantas? Ou podem ser degradadas rapidamente pelos microorganismos do solo? Temos, então, a premissa que o efeito das substâncias alelopáticas para as plantas será prejudicial quando estiverem com alto grau de concentração no solo, e serão benéficas quando em baixas concentrações. As substâncias alelopáticas são liberadas por volatilização das folhas, lixiviação dos resíduos das folhas, decomposição dos resíduos e dos exsudatos das raízes  e pela exsudação das raízes.
Às vezes, na rotação de culturas, acontece uma queda de produtividade na cultura subsequente, mesmo realizando as recomendações técnicas. Teriam os resíduos da cultura anterior efeitos alelopáticos que causariam esta queda na produtividade? Ou as plantas invasoras alelopáticas seriam as responsáveis? Rezende et al. (2003) diziam que o fato de algumas espécies vegetais prejudicarem outras é conhecido desde a Antiguidade. A autotoxicidade e a heterotoxicidade são tipos de ação alelopática. Na autotoxicidade, a planta libera substâncias tóxicas que inibem a germinação e o crescimento das plantas da mesma espécie. Na heterotoxicidade, substâncias fitotóxicas são liberadas pela lixiviação, pela exsudação das raízes e pela decomposição de resíduos que atuam na germinação e no crescimento de outras plantas. A palha da cana-de-açúcar parece ter as duas ações alelopáticas, pois as substâncias liberadas inibem o desenvolvimento da tiririca e do picão-preto, e atuam sobre a própria planta de cana. Por isto não é recomendável deixar a palhada de cana sobre a soqueira.
A palhada tem efeito alelopático: a cultura libera substâncias, no solo, que diminuem a germinação e o desenvolvimento de ervas daninhas. Como exemplo, temos a Crotalaria juncea que vem sendo muito usada como cobertura morta para o plantio da soja. A ação das substâncias alelopáticas varia em função do método usado no destino da palhada: incorporação no solo ou deixada como cobertura na superfície, como acontece no plantio direto. Na incorporação, as substâncias ficam no volume de solo correspondente à profundidade do enterrio. Na cobertura do solo, na semeadura direta, as substâncias liberadas se concentram na camada superficial da terra. Como o efeito da alelopatia depende da concentração de substâncias, a ação delas deve ser maior na semeadura direta. Por outro lado, o efeito da alelopatia será maior em solos pobres, arenosos, do que em solos com maior teor de matéria orgânica, devido a maior atividade dos microorganismos.
O alcaloide cafeína, encontrado nas sementes de café, tem efeitos alelopáticos porque inibe a germinação de várias espécies.
Foi feito um teste usando folhas de Eucalipto trituradas em solução aquosa usando-se três concentrações diferentes, mais uma contendo somente água. Procedeu-se à germinação das sementes de alface nas diferentes concentrações e na água. Verificou-se que a medida que se aumentava a concentração menor era a germinação das sementes de alface. Nas concentrações menores, notou-se uma melhor estimulação da germinação, mesmo quando comparada à germinação somente em água.
A alfafa cultivada na mesma área, por longo tempo, vai deixando resíduos no solo que causam prejuízos a ela mesma.
A braquiária, cultivar Marandu, foi classificada como prejudicial no estabelecimento de leguminosas como Estilosantes e Centrosema.
O tomate, a batata, o pimentão, combinam bem com a alface e a chicória e outras plantas da família das Compostas. A abóbora, melancia, melão, pepino, combinam bem com o tomate, batata e pimentão, e com as gramíneas e leguminosas. São as chamadas "plantas companheiras".
Almeida (1991) concluiu que o capim-marmelada tem ação alelopática sobre a soja, não sendo benéfico.
O sorgo vem sendo destacado como alternativa na rotação de culturas, pois é tolerante à seca, produção de biomassa abundante e tem uma alta relação C/N. Entretanto, lavouras de soja, cultivadas após o sorgo, apresentaram um menor estande de plantas e um menor desenvolvimento inicial. A causa foi atribuída às substâncias alelopáticas liberadas pela decomposição da palha do sorgo.
Fortes, A.M.T. et al. (2007) demonstraram, em laboratório, que a leucena foi eficiente no controle de plantas invasoras da soja como a corda-de-viola, o picão-preto e a guanxuma, sem causar prejuízos para a soja.
Fontanetti et al. concluíram que o extrato aquoso da parte aérea da mucuna-preta promove redução no crescimento, estabilização na multiplicação de tubérculos e menor índice de velocidade de emergência da tiririca. O extrato da parte aérea do feijão-de-porco estimulou o crescimento da tiririca.
Rice (1984) comentou que as diferentes fases do ciclo do nitrogênio (N) são influenciadas pela alelopatia.
Souza et al. (1997) verificaram que a incorporação da Brachiaria decumbens reduz, significativamente, a quantidade de N na solução do solo. Estes mesmos pesquisadores estudaram o efeito alelopático da Brachiaria decumbens sobre o crescimento do milho, soja, trigo, arroz, feijão, algodão, e sobre a própria braquiária. Verificaram que o crescimento das culturas mencionadas foi reduzido pela incorporação, no solo, de 3% de matéria seca da braquiária. Por outro lado, a matéria seca da parte aérea da braquiária reduziu, consideravelmente, o teor de nitrato no solo.
É um assunto importante e que merece maior investigação do efeito destas substâncias no desenvolvimento de outras plantas, e da própria planta.

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