terça-feira, 15 de novembro de 2011

Emprego do Gesso Agrícola na Calagem Superficial

A calagem é uma prática fundamental nos solos brasileiros porque, geralmente, são ácidos e pobres em nutrientes. Com a calagem consegue-se elevar o pH do solo, aumentar os teores de Ca e Mg, aumentar a saturação por bases, diminuir os teores de Al e Mn trocáveis e, no caso das leguminosas, criar um ambiente propício para a fixação do N do ar pelas bactérias fixadoras. Tudo isto é fruto da dissociação do carbonato de cálcio que reage com os coloides do solo. Para o sucesso da calagem é necessário que o calcário seja aplicado com antecedência do plantio, uma
distribuição uniforme e que seja incorporado profundamente. Mas a incorporação do calcário exige revolvimento do solo, através de arações e gradagens, que causam alterações nas características físicas do solo, tanto na porosidade como no tamanho dos agregados e da atividade microbiana. O solo fica mais sujeito à erosão. O revolvimento do solo ocasiona perdas de matéria orgânica. Para contornar isto, a melhor solução é o uso do sistema de plantio direto para sustentabilidade da agricultura. O sistema de plantio direto vem aumentando em área, no Brasil. O sistema convencional está dando lugar ao plantio direto. É claro que muitos agricultores ainda não adotaram a prática.
No plantio direto a calagem é feita superficialmente. A pesquisa tem observado que a eficiência da calagem, quando aplicada na superfície, varia de acordo com a quantidade e a granulometria do produto, forma de aplicação, tipo de solo, clima e disponibilidade de água, sistema de cultivo e o tempo decorrido da aplicação. Conforme estes fatores, o período de tempo varia de meses a mais de dois anos, dependendo do solo na profundidade de 40 cm, para aumentar o pH do solo, elevar a saturação por bases, aumentar os teores de Ca e Mg e neutralizar o Al trocável. Há relatos, também, que na implantação do sistema de plantio direto, o efeito da calagem verificou-se apenas na camada de 0 a 5 cm, 10 meses após a aplicação. No sistema de plantio direto consolidado, o efeito da calagem foi observado na camada 0 a 10 cm, 1 a 2,5 anos após a aplicação e 34 meses após, na camada 0 a 5 cm. Portanto não há uma uniformidade na eficiência desta prática, pois são muitas as variantes, entre elas as condições pluviométricas de cada região. A calagem, sem incorporação do calcário, pode ter uma eficiência limitada na superfície do solo, principalmente nos primeiros anos da lavoura.
Uma preocupação na aplicação de calcário na superfície do solo, no sistema de plantio direto, é sua eficiência ser relativa à camada 0 a 10 cm, pois o sistema radicular crescerá, preferencialmente, nesta camada, o que pode provocar baixa produtividade das culturas, não suportando os veranicos pela reduzida disponibilidade de água.
Em lavouras submetidas ao sistema convencional, nas quais se deseja iniciar o plantio direto, recomenda-se a calagem total para corrigir a acidez do solo. A quantidade recomendada é para elevar a saturação por bases (V%), e o calcário deve ser incorporado na camada de 0 a 20 cm, de maneira uniforme. Depois da implantação do plantio direto, a acidificação do solo continua ocorrendo que obriga a uma nova correção da acidez, após um tempo. Por isto é que se recomenda uma nova análise de solo dois a três anos depois da calagem. A amostra deve ser coletada na camada 0 a 20 cm e aplicar 1/3 da quantidade necessária para elevar a saturação por bases em 70%. A aplicação do calcário deve ser feita a lanço na superfície com uma antecedência de 6 meses do plantio.
As áreas sob plantio direto que já foram corrigidas com aplicação de calcário na superfície, a coleta de solo deve ser feita nas camadas de 0 a 10 cm e 10 a 20 cm de profundidade. Utiliza-se a média da quantidade recomendada para as duas camadas e aplica-se 1/3 da calagem indicada.
Como o gesso agrícola ajudaria?
A utilização do gesso agrícola poderá ajudar no aumento da saturação por bases nas camadas subsuperficiais, bem como reduzir o Al tóxico, e criando condições ideais para o melhor desenvolvimento radicular das plantas, em crescimento e profundidade, na busca de água e nutrientes nas camadas mais profundas. Além disto, o íon SO4 do gesso agrícola, que é mais solúvel que o calcário, carregaria o Ca para as camadas profundas e neutralizaria o Al tóxico formando compostos insolúveis. O gesso agrícola movimenta-se melhor através do perfil do solo.
Sorattol, R.P. et al estudando os atributos químicos do solo, decorrentes da aplicação em superfície de calcário e gesso, em sistema de plantio direto recém-implantado, chegaram às seguintes conclusões: na implantação do sistema de plantio direto, a aplicação de calcário em superfície promoveu a diminuição da acidez e elevou os teores de Ca e Mg trocáveis, principalmente na superfície; a aplicação de gesso agrícola promoveu aumento nos teores de Ca trocável e SO4, diminuição do Al trocável, contribuindo para que os efeitos da calagem superficial alcançassem mais rapidamente as camadas de 20 a 60 cm; a saturação por bases na camada de 0 a 20 cm não atingiu os valores estimados pelo método da elevação da saturação por bases, principalmente nas maiores doses, mesmo com a aplicação de gesso agrícola; a calagem na superfície não alterou os teores de micronutrientes na camada 0 a 20 cm.
O gesso agrícola deve ser utilizado quando a análise do solo, na camada de 30 a 50 cm, indicar uma saturação por alumínio (m%) maior que 20%, a saturação de Ca menor que 60%. A dose de gesso agrícola é de 700 kg/ha em solos arenosos, 1200 kg/ha em solos de textura média, 2200 kg/ha em solos de textura argilosa e 3200 kg/ha nos de textura muito argilosa. O gesso agrícola pode ser empregado para diversas finalidades:
1- diminuição do Al tóxico e elevação do teor de Ca nas camadas subsuperficiais, criando condições melhores para o desenvolvimento do sistema radicular das plantas, suportando melhor os veranicos e buscando os nutrientes nas camadas mais profundas;
2- pela sua composição química, o gesso agrícola é fonte de S e Ca;
3- pode ser utilizado na correção de solos sódicos;
4- reduz as perdas de N durante o processo da compostagem.
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