terça-feira, 29 de maio de 2012

Adubação de Pastagens com Fosfato Natural Reativo


Existem diferenças acentuadas entre os solos brasileiros destinados à exploração de pastagens. A baixa fertilidade dos solos é a característica predominante. Isto acarreta problemas sérios quando se deseja obter pastagens de qualidade. Sem melhoria da fertilidade é impossível conseguir bons resultados no manejo das pastagens, para garantir alimento aos animais que traduzirão em produção de carne e leite. As plantas forrageiras possuem um grupo muito grande de espécies, com ciclos anual, bienal ou
perene, forrageiras de estações fria ou quente, que se adaptam diferentemente entre os diversos tipos de solos, cada um com suas características físicas e químicas. Este quadro provoca uma dificuldade para o técnico na recomendação de corretivos, para neutralizar a acidez do solo, e fertilizantes. Já publicamos um artigo sobre calagem em áreas de pastagens que pode ser visualizado pelo leitor, clicando aqui.

Cada Estado brasileiro possui tabelas próprias, diferentes em cada um deles, quanto à calibração dos teores de nutrientes no solo e às recomendações deles em kg/ha. Na adubação, as doses de N, P2O5 e K2O são recomendadas de acordo com a expectativa do produtor em obter altos rendimentos de matéria seca e do tipo de pastejo, corte, etc. Os animais precisam de nutrientes para o seu sustento e produção de carne e leite. O nitrogênio (4 a 10%), o fósforo (38%), o potássio (5%) e o enxofre (16%) são os nutrientes mais exportados pelos produtos animais.
Como verificamos, o fósforo é o principal deles, mas é o nutriente mais deficiente nos solos brasileiros. Nos solos ácidos, o fósforo está sujeito à fixação formando compostos insolúveis de ferro e alumínio não aproveitáveis pelas plantas. Diz-se que do fósforo total aplicado no solo, apenas 15 a 30% é aproveitado pelas plantas, nestas condições de pH baixo.
Uma alternativa, como fonte de fósforo, é a aplicação de fosfatos naturais reativos (FNR). São chamados reativos por causa de sua origem de rochas sedimentares (fosfatos moles), que aplicados diretamente no solo, têm a capacidade de liberar fósforo de maneira progressiva e contínua, menos sujeito à fixação. São conhecidos como reativos (FNR), os fosfatos naturais de Gafsa, Arad, Carolina do Norte e outros. A legislação brasileira de fertilizantes preconiza que fosfato natural reativo é aquele que apresenta garantia mínima de 28% de P2O5 total e, no mínimo, 30% deste P2O5 total seja solúvel em ácido cítrico a 2%, relação 1:100.
Os fosfatos naturais não reativos (fosfatos brasileiros) devem garantir, no mínimo, 24% de P2O5 total e 4% de P2O5 solúvel no ácido cítrico 2%, relação 1:100.
O Mercado Europeu tem uma outra visão, em termos de fosfato natural reativo para emprego diretamente na agricultura. Para ser comercializado lá, o fosfato natural reativo (FNR) deve possuir 55% do P2O5 total solúvel no extrator ácido fórmico a 2%, relação 1:100. Porque eles acham que o extrator ácido fórmico é o mais indicado para caracterizar e diferenciar fosfatos naturais reativos dos fosfatos naturais comuns.
Nestas condições, os fosfatos de Gafsa (Tunísia - África do Norte) e Arad  (Israel) apresentam mais de 55% do seu fósforo total solúvel no extrator ácido fórmico. A legislação brasileira, na sua atualização, permite que seja indicada a garantia de P2O5 do FNR em ácido fórmico a 2%, relação 1:100, desde que ela seja, no mínimo, 55% do teor de fósforo total, quando comercializado na granulometria seguinte: as partículas deverão passar 100% na peneira de 4,8 mm (ABNT 4) e passar 80% na peneira de 2,8 mm (ABNT 7). Para mim, com exceção da granulometria,  esta é uma avaliação correta. Quanto á granulometria sou mais favorável à aplicação do FNR finamente moído, micropulverizado. Na década de 70 a extinta Companhia Riograndense de Adubos, que comercializava com exclusividade o Fosfato de Gafsa, trabalhou intensamente para que a legislação permitisse declarar o fósforo solúvel no ácido fórmico.
Informações Agronômicas nº 48, dezembro/89, página 10 - POTAFOS acesse aqui e veja página 10.

O meu conceito de fosfato natural de alta reatividade está condicionado a estes 55%. Quanto mais alta a solubilidade do FNR, em ácido fórmico, maior a sua eficiência agronômica no solo. A utilização de  qualquer fosfato natural, caracterizado como  reativo, deve estar relacionada a maior solubilidade do fósforo no extrator ácido fórmico. O bom seria, no mínimo, 55%.
O produtor ao enviar terra para análise deve comunicar ao laboratório que a amostra de solo foi coletada em área onde foi aplicado, nos últimos dois anos, um fosfato natural. O melhor método de análise do fósforo, neste caso, é o de P-RESINA. Outros métodos superestimam a avaliação de fósforo disponível em áreas onde foi aplicado o fosfato natural.
O fosfato natural reativo deve ser aplicado, de preferència, na forma de pó, pois a área de contato com os ácidos do solo é maior facilitando a solubilização do fósforo. Em áreas onde a pastagem vai ser implantada, a fosfatagem com FNR seria muito bom. Na semeadura, pode-se usar uma mistura de fosfato solúvel (supertriplo ou simples) mais FNR. Com isto, há uma liberação rápida de fósforo solúvel para o arranque das plantas e uma liberação progressiva e contínua de fósforo, através do FNR, durante todo o ciclo da planta. Sem contar o efeito residual do FNR para as culturas subsequentes.
Na literatura, inúmeros resultados de pesquisa mostram que os fosfatos naturais reativos (Gafsa e Arad) têm uma eficiência semelhante aos fosfatos solúveis em água (supertriplo). O comunicado técnico nº 30 da Embrapa (out/2000) dá importantes informações sobre o uso de FNR em comparação ao supertriplo, em pastagens. Para visualizar a publicação, acesse o link abaixo:

GUEDES, E.M.S et ali., (Rev. ciênc. agrár., Belém, n. 52, p. 117-129, jul./dez. 2009), estudando "Fosfato Natural de Arad e Calagem e o Crescimento de Brachiaria brizanta em Latossolo Amarelo sob Pastagem" concluíram que "a aplicação de fosfato natural de Arad aumentou a produção de massa seca da parte aérea e de raízes e o perfilhamento do braquiarão. O fosfato natural de Arad foi mais eficiente que o superfosfato triplo, a partir do segundo corte da forrageira, com ou sem a correção do solo".
A Embrapa Gado de Corte recomenda que os fosfatos naturais reativos, em pastagens, devam ser aplicados antes do plantio e incorporados no solo, principalmente quando se usa o FNR farelado.
Lobato, E. et ali,. (Pesq. agropec. bras. vol.35 no.4 Brasília Apr. 2000) na "Avaliação do Fosfato Natural de Gafsa para Recuperação de Pastagem Degradada em Latossolo Vermelho-Escuro" concluíram que "a resposta da gramínea aos fosfatos foi observada apenas na presença da adubação complementar. Com incorporação, o desempenho do fosfato natural de Gafsa farelado é igual a do  superfosfato triplo. Sem incorporação, o fosfato natural de Gafsa farelado é inferior ao superfosfato triplo.
Este resultado pode ser advindo da condição de farelado do produto. O fosfato natural reativo deve ser finamente moído, transformado num pó muito fino, pois, nestas condições, a área de contato sujeita ao ataque dos ácidos do solo, à ação dos exsudatos das raízes, à solubilização pelos microorganismos do solo, é muito maior, o que aumenta a eficiência agronômica do FNR.

2 comentários:

  1. Gismonti, para fazer a mistura de Superfosfato com o FNR (FH pastagem), deve ser observado a granulometria dos fertilizantes, ou pode ser realizado a mistura, desde que bem misturado, e aplicar os 02 produtos na mesma aplicação?

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    Respostas
    1. geralmente o FNR é vendido na forma de pó. É melhor aplicar em separado. Se o FNR é granulado pode se misturar.

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