terça-feira, 23 de outubro de 2012

Recuperação de Solos Salinos e Sódicos

Afloramento de sais

Os solos salinos se caracterizam por apresentarem manchas (solo desnudo), problemas físicos e químicos que contribuem, desfavoravelmente, para o crescimento das plantas e, consequentemente, diminuição da produtividade. Aqui se incluem os solos sódicos que apresentam pH maior que 8,5 e grande concentração de sódio (Na) trocável adsorvido aos coloides, tornando-se um solo com dificuldades imensas para ser trabalhado e, também, impermeável. A água de irrigação contém sais solúveis e seu manejo inadequado pode provocar a salinização, ou seja, uso constante, quantidade insuficiente para lixiviação dos sais e uma
drenagem insuficiente. Com o passar do tempo, estes sais se acumulam na superfície e ao longo do perfil do solo.
A salinidade do solo pode ser avaliada pelo pH, CE e PST. A concentração total de sais na água de irrigação, sem especificá-los, é avaliada em relação à condutividade elétrica (CE) expressa em dS/m. Esta unidade (dS/m) significa deciSiemens por metro no Sistema Internacional (SI) de unidades.
1 dS/m = 1 mmho/cm = 1 mS/cm = 1.000 mS/cm = 1.000 mmho/cm
A quantidade Total de Sais Dissolvidos (TSD) na água é outra maneira de expressar a salinidade, ou seja, a soma das concentrações de cada íon analisado numa amostra de água e expressa em mg/L ou g/L.
O PST vem a ser a Percentagem de Saturação por Na, calculada da seguinte forma:
PST (%) = (100 x teor de Na) / CTC a pH 7.0
A sodicidade é avaliada pela Relação de Adsorção de Sódio (RAS).
Os solos com problemas de sais são classificados:
1. Salinos
Refere-se à concentração de sais solúveis do solo que podem ser tóxicos para as plantas. Estes solos apresentam uma condutividade elétrica maior que 4dS/m a 25 ºC, uma percentagem de sódio trocável (PST) menor que 15 e pH do solo menor que 8,5. Um perfeito sistema de drenagem, através de lavagens, permite diminuir a concentração de sais solúveis. Os solos salinos são encontrados em maior proporção nas regiões de clima árido e semi-árido, pois a maior evapotranspiração e insuficiência de chuvas impedem que ocorra uma maior lixiviação dos sais na zona das raízes das plantas. O manejo inadequado da irrigação, nestas áreas, contribui para aumentar a concentração de sais e a degradação do solo. O resultado é o abandono destas áreas pela redução da produção e a dificuldade de trabalhar nestes solos.
Quando o PST é maior que 15 e pH raramente maior que 8,5 temos um solo salino-sódico.
Quando o pH alcança de 8,5 a 10,5 temos um solo sódico. Nos solos sódicos, a parte orgânica e a argila podem chegar à superfície promovendo o escurecimento da área.

2. Alcalinos
Refere-se à ação dos sais sobre as propriedades do solo, alterando a sua estrutura, a maior impermeabilidade e o aumento da concentração de Na trocável, carbonatos e bicarbonatos.
Recuperação de solos salino-sódicos e sódicos
O manejo destes solos, para torná-los produtivos, necessita de uma diminuição na concentração de sais solúveis e no teor de Na trocável, mediante a aplicação de corretivos. O excesso de sais solúveis tem um papel prejudicial no crescimento das plantas, na atividade dos microorganismos, no complexo de troca do solo e argila/húmus. A prática é promover uma lixiviação destes sais mediante a aplicação de condicionadores e, neste caso, o gesso agrícola.
Na correção dos solos salino-sódicos e sódicos podem ser utilizados o gesso agrícola, o enxofre, o sulfato de alumínio, o cloreto de cálcio e o ácido sulfúrico. Devido às quantidades encontradas nas Indústrias de Fertilizantes, como subproduto na fabricação de superfosfato simples, o gesso é o mais indicado pelo seu menor custo.
Pizarro (1985) citado por Tavares Filho (2010) cita que para a correção de solos salinos, a lixiviação de sais deve ser feita de duas maneira:
1. Lavagem contínua - cobrir a superfície do solo com uma lâmina de água de 10 cm de altura. Aqui, os sais são removidos mais rapidamente e permite uma exploração mais cedo da área. Este método é recomendado para os solos que apresentam boa permeabilidade, lençol freático profundo e alta taxa de evaporação;
2. Lavagem intermitente - própria para os solos com reduzida capacidade de drenagem, lençol freático elevado e água subterrânea de baixa salinidade. Deve ser aplicada nos períodos de baixa taxa de evaporação.
Os sais devem ser lixiviados na estação fria quando a evaporação é menor. Deve-se cultivar espécies mais tolerantes à salinidade, pois há uma economia de água pela menor lixiviação. Evitar períodos prolongados sem irrigar, pois favorece o acúmulo de sais.
Tavares Filho (2010) chegou à conclusão que empregando-se 100% da necessidade de gesso, a sodicidade do solo diminui para valores de RAS < 13 mmolc/dm³ e PST < 15%.
Barros et al (??) estudando a influência da aplicação de gesso para a correção de um solo salino-sódico chegaram à conclusão que a aplicação de gesso, incorporado ao solo, foi mais eficaz no aumento da percentagem de germinação e na produção de matéria seca. Que a quantidade de Ca do gesso não alterou a relação Ca/Mg na planta.
Barros et al. (2004) citados por Tavares Filho (2010) dizem que a quantidade de gesso necessária para corrigir a sodicidade dos solos salino-sódicos e sódicos pode ser calculada levando em consideração o PST que se deseja substituir na CTC e a profundidade da camada de solo a ser recuperada.
LEIA também:  Calcular dose de gesso agrícola para corrigir sodicidade

Um outro corretivo que pode ser usado é o calcário, que libera cálcio (Ca) em solos pobres deste nutriente. O gesso agrícola tem a propriedade, por ser mais solúvel que o calcário, de carregar Ca para as subcamadas, além de prover o solo com enxofre (S).
A recuperação destes solos baseia-se na diminuição da concentração dos sais solúveis e do Na trocável no perfil do solo, de maneira que não cause prejuízos para as plantas. O Ca deve deslocar o Na trocável. Neste caso, o gesso agrícola tem um papel muito importante em deslocar o Na do complexo de troca, através da ação do Ca contido no gesso. O íon sulfato do gesso neutraliza o Na da solução, dando origem ao sulfato de sódio hidratado. Este sulfato de sódio é, finalmente, lixiviado pela irrigação. O gesso agrícola é o melhor produto e o mais econômico para recuperar solos sódicos e salino-sódicos. A presença de Ca nas subcamadas favorece um melhor desenvolvimento do sistema radicular das plantas, tanto em área como em profundidade. Isto permite às raízes irem mais longe em busca de água e nutrientes, garantindo uma maior absorção dos mesmos. A planta resiste mais às estiagens.
Na literatura encontra-se que solos com argilas ilita e montmorilonita se caracterizam por apresentarem uma menor redução do sódio (Na). Anjos (1993) citado por Sertão (2005) verificou que não houve diferença entre a aplicação de gesso agrícola na água de irrigação e a incorporação na camada de 0-15 cm para a recuperação de um solo salino-sódico.
Quando a concentração de sódio é alta, há uma inibição na absorção de Ca, Mg e K. O sódio (Na) compete com o Ca na absorção. O excesso de sais é responsável pela redução do potencial osmótico e pela ação tóxica para as plantas.
Para recuperar solos salinizados é necessário a remoção do Na do complexo de troca pelo uso de gesso agrícola e posterior lixiviação. Esta reação entre o gesso e o sódio do solo vai depender da área de contato do gesso  com as partículas do solo e da taxa de remoção do sódio da solução do solo. Na literatura encontram-se casos em que solos salinos promoveram aumento de produção pela aplicação de fertilizantes. Isto seria uma maneira de melhorar o desenvolvimento das plantas, em ambientes estressados pela presença de sais solúveis. Há recomendações para os produtores usarem espécies tolerantes à salinidade e alterar o sistema de manejo em áreas onde a água não foi suficiente para lixiviar os sais abaixo do sistema radicular das plantas. Com isto, pode-se minimizar os prejuízos causados pela salinização.
O gesso agrícola reduz a disponibilidade de fósforo (P) ?
Na literatura encontra-se que o gesso agrícola reduz a disponibilidade de fósforo (P). Entretanto, existem pesquisas que recomendam que o fósforo (P) pode ter um papel importante no manejo de solos salinizados. A explicação é que nestes solos o sistema radicular das plantas é pouco desenvolvido e uma elevada concentração de fósforo no solo compensa a necessidade da planta. Vital et al (??) estudando o comportamento de atributos químicos de um solo salino-sódico tratado com gesso e fósforo, concluíram que as aplicações de gesso, neste solo, alteram favoravelmente alguns atributos químicos do solo, ou seja, aumentam a disponibilidade de fósforo e de cálcio do solo, promovem redução do pH do solo e dos teores de sódio. Recomendam a aplicação de gesso em solo que exige adubação fosfatada, como alternativa para elevar os teores de P disponíveis. O fósforo aplicado em solos salino-sódicos apresenta elevada disponibilidade, independente da aplicação do gesso.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, O. A. Qualidade da água de irrigação. EMBRAPA Mandioca e Fruticultura. Cruz das Almas. Ba. 2010. Disponível em:<http://www.cnpmf.embrapa.br/publicacoes/livro/livro_qualidade_agua.pdf> Acesso em: 12 de Out. 2012.
BARROS, M. F. C.; BEBÉ, F. V.; SANTOS, T. O. S.; CAMPOS, M. C. C. Influência da aplicação de gesso para correção de um solo salino-sódico cultivado com feijão caupi. Revista de Biologia e Ciências da Terra ISSN 1519-5228. Vol. 9. Nº 1. 1º Sem. 2009. Disponível em:<http://eduep.uepb.edu.br/rbct/sumarios/pdf/feijaocaupi.pdf>  Acesso em: 09 de Out. 2012.
SERTÃO, M. A. J. Uso de corretivos e cultivo do capim urocloa em solos degradados de Semiárido. (Dissertação - Mestrado em Zootecnia em Sistemas Agrossilvopastoris) 67 f. 2005. Centro de Saúde e Tecnologia Rural. Universidade Federal de Campina Grande. Disponível em:  em:<http://www.cstr.ufcg.edu.br/zootecnia/dissertacoes/m_auxiliadora_dissert.pdf> Acesso em: 08 de Out. 2012.
TAVARES FILHO, A. N. Níveis da necessidade de gesso sobre as características físico-químicas e na correção de solos salino-sódicos do perímetro irrigado de Ibimirim -PE. 81 p. 2010. (Dissertação - Mestrado em Engenharia Agrícola. Universidade Federal Rural de Pernambuco. Departamento de Tecnologia Rural. Recife. 2010. Disponível em:<http://www.pgea.ufrpe.br/downloads/dissertacoes/AntonioNovais.pdf>  Acesso em: 08 de Out. 2012.
VITAL, A. F. M; SANTOS, R. V.; CAVALCANTE, L. F.; SOUTO, J. S. Comportamento de atributos químicos de um solo salino sódico tratado com gesso e fósforo. Rev. Bras. Eng. Agric. Ambient. Vol. 9 nº 1 Jan./Mar. 2005. Campina Grande. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-43662005000100005> Acesso em 09 de Out. 2012.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. O importante é saber se o solo contém excesso de Na. Isto vc mede pelo PST conforme explicado no texto e na tabela.

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  2. preciso de sua ajuda com um solo alcalino

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