terça-feira, 27 de novembro de 2012

Alternativa para Aumentar a Eficiência da Absorção de Nitrogênio

Ureia recoberta com enxofre
O nitrogênio (N) é um dos principais nutrientes exigidos pelas plantas. As adubações nitrogenadas são muito utilizadas, tanto na hora do plantio como na cobertura. Estes fertilizantes são responsáveis por aumentarem o custo de produção da lavoura. Mas são necessários e importantes para fornecerem nitrogênio para as plantas.
No solo, o nitrogênio está sujeito à perdas por lixiviação, volatilização e erosão. A taxa de eficiência do adubo nitrogenado é estimada em 50%. A aplicação de ureia em cobertura, durante dias muito quentes, provoca a volatilização da amônia. As perdas de N por lixiviação podem ser diminuídas pela aplicação parcelada, em épocas de muita precipitação. Estas perdas são maiores naqueles solos em que foi retirada a cobertura do solo com resíduos vegetais. A adubação nitrogenada mal manejada pode ocasionar perdas de N da ordem de 40 a 70%. Comparando esta perda com o custo da tonelada de um fertilizante nitrogenado é muito preocupante, pois a eficiência do adubo é diminuída e o custo da lavoura torna-se alto. As perdas de N pela ureia são maiores quando ela é aplicada superficialmente. A incorporação da ureia reduziria estas perdas, mas aumentaria os custos da aplicação. Então, ficamos no impasse de aplicar nitrogenados, como sulfato de amônio e nitrato de amônio, em que as perdas de N são menores, mas as quantidades são maiores, os custos são mais altos, ou aplicar a ureia de custo da unidade de N mais em conta. Os inibidores de nitrificação estão sendo usados para retardar a formação de nitrato (NO3). Nos solos ácidos, a ureia incorporada controla as perdas de N que permanece na forma de NH4, evitando as perdas por volatilização. Entretanto este NH4 é porta aberta para que se inicie o processo de nitrificação dando origem ao NO3 que é lixiviado.


Tem-se procurado manejar a adubação nitrogenada, ou seja, parcelar as aplicações: uma parte do N é aplicado na base e o restante é parcelado de acordo com a demanda da planta, no momento que ela mais precisa. A incorporação da ureia a uma profundidade mínima de 3 a 5 cm, seja por meio mecânico ou irrigação, evita as perdas por volatilização de NH3. Entretanto, às vezes é difícil adotar esta prática, seja por falta de equipamentos, condições de clima, etc. 
Vários fatores determinam as perdas de N por volatilização: pH do solo maior que 7.0, temperaturas elevadas, baixa CTC do solo que acarreta baixa retenção de NH4,  altas dosagens de ureia aplicada, compactação do solo e acúmulo de água.
Daí a necessidade da utilização de nitrogenados que liberem o N de maneira lenta, progressiva ou controlada. Fertilizantes que promovam uma diminuição das perdas de N através do solo ou para a atmosfera, que tenham sua eficiência aumentada. São os chamados fertilizantes de liberação lenta ou controlada, e os fertilizantes estabilizados.

1. Fertilizantes de liberação lenta: são aqueles, que após a aplicação no solo, liberam o nutriente lentamente para absorção pelas plantas, minimizando as perdas e aumentando a eficiência da adubação. Sua disponibilidade é estendida por um período maior, quando comparado com os fertilizantes convencionais. São produtos de baixa solubilidade e resultam da reação da ureia com aldeídos: Ureaformaldeído (38% N). Isobutilidene diureia (32% N) e Crotonilidene diureia (32% N).

2. Fertilizantes de liberação controlada: são produtos encapsulados ou recobertos. Caso da ureia recoberta com enxofre (S). É usado cera no recobrimento do grânulo. A liberação lenta depende do recobrimento. A cera é degradada pelos micro-organismos do solo. Podem ocorrer fendas na estrutura cristalina do S que facilitam a difusão. Há produtos em que a ureia é recoberta com polímeros de permeabilidade controlada. A água do solo atravessa a camada de polímero e libera o N.

3. Fertilizantes estabilizados: são aqueles que contêm aditivos: inibidores de nitrificação, inibidores de urease, ou produtos que contêm os dois inibidores. Os inibidores de nitrificação são importantes, pois, inibindo a nitrificação, conservam o adubo nitrogenado no solo e aumentam a eficiência da absorção do N pela planta, diminuindo a formação de NO3 no solo e preservando o N-amoniacal, o qual é menos sujeito à lixiviação. São as Nitropirinas, a Dicianodiamida (DCD) e o fosfato de 3,4 - dimetil pirazole (DMPP). Entre os inibidores de urease os seguintes produtos: fenil-fosforodiamidato (PPD) e o tiofosfato de N-n-butiltriamida (NBPT).

Na produção de fertilizantes de liberação lenta ou controlada são utilizados inibidores da urease que impedem a transformação de N-amida em N-amoniacal em 7 a 14 dias. Os solos que têm grandes perdas de N levam vantagem com a utilização destes produtos quando há dificuldade de incorporar a ureia ou submetidos ao sistema de plantio direto. Outra forma é utilizar ácido bórico ou sulfato de cobre na redução das perdas de N por volatilização. Outra maneira é o uso do enxofre (S) elementar no recobrimento dos grãos de ureia  A ureia é fundida a 70 - 80 ºC e recoberta com pó de enxofre fundido a 143 ºC. Após é aplicado um selante, a base de cera, e um condicionador para evitar a formação de pó e o manuseio adequado do produto na armazenagem e na aplicação. Outra vantagem é que este produto contém enxofre (S) tão indispensável para as plantas e que vem sendo diminuída a sua aplicação no solo, devido a utilização de formulações mais concentradas de adubo, cujas matérias-primas utilizadas não contêm o S.

Bonno et al. (2011) estudando o uso da ureia na cultura do milho, em latossolo argiloso, na região de Maracaju/MS, observaram que a ureia recoberta com amido apresentou melhor eficiência do que a aplicação com ureia convencional (sem recobrimento). A aplicação de doses elevadas de ureia (mais de 100 kg/ha N), numa única aplicação em cobertura, a ureia recoberta seria a melhor opção.
Kaiê et al., estudando fertilizantes de liberação lenta e controlada, chegaram à conclusão que os fertilizantes de liberação lenta e de liberação controlada apresentaram os melhores resultados na diminuição de perdas de N e no aumento da eficiência da absorção pela planta. Além de reduzir os custos operacionais, pois o fertilizante de liberação lenta é aplicado uma vez e o de liberação controlada em duas vezes durante o ciclo da planta, quando os convencionais são aplicados em até 4 vezes.

EFERÊNCIAS

BONO, J. A. M.; SETTI, J. C. de A.; TRAESEL, E. J.; RANNO, S. K. Fonte nitrogenada de liberação lenta na cultura do milho em um latossolo argiloso na região de Maracaju em Mato Grosso do Sul. Ensaios e Ciência. Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, Vol. 15 nº 2. 2001.

KAIÊ, F. M.; GODOY, L. J. G de.; GOMES, J. M.; BARBOSA, M. R. V. X. Características químicas do solo de bananal adubado com fertilizantes de eficiência aumentada. Universidade Estadual Paulista. Campus Experimental de Registro. FAPESP. Disponível em <http://prope.unesp.br/xxi_cic/27_35590555809.pdf> Acesso em: 26 de Nov. 2012.

2 comentários:

  1. Professor, por acaso vc sabe em quais desses tipo de fertilizantes o Ciclus NS da Café Brasil e o Producote 37-00-00 + S da Produquímica se enquadra?


    Jairo C. Filho - Estudante de Agronomia

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    Respostas
    1. o Ciclus NS é um fertilizante nitrogenado de liberaçao lenta.
      O Producote não tenho conhecimento da liberação de N, se existe, mas é um nitrogenado com adição de enxofre.

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