terça-feira, 21 de maio de 2013

Os Métodos Mehlich-1 e Resina na Extração de Fósforo (P)



O fósforo é absorvido pelas plantas através da solução do solo. Na solução do solo, o fósforo encontra-se com teores baixíssimos. À medida que a planta vai absorvendo o fósforo da solução, ocorre uma reposição pelo fósforo da parte sólida, pois há um equilíbrio entre o P da solução do solo (forma líquida) com o P da fase sólida. Esse fósforo da parte sólida em equilíbrio com a parte líquida é chamado fósforo lábil. O que se deseja num extrator é que ele determine apenas o P lábil. Mas, muitos extratores retiram o P lábil e o P não lábil.
A determinação do fósforo (P) disponível no solo é feita através de extratores. Mas,
como nem tudo é perfeito, os métodos de extração de P podem, em alguns solos argilosos - os latossolos roxo -,  extrair menos fósforo do que realmente o solo contém. Ou, superestimar os teores de fósforo em solos que receberam adubação com fosfato natural nos últimos dois anos. Nesse caso, a utilização do método de extração P resina é o mais eficiente para solos adubados com fosfatos naturais.

Segundo LOPES et al. (1982), o extrator Mehlich-1 tem se mostrado adequado na determinação de fósforo (P) em solos adubados com fosfatados ou não. Os adubos fosfatados deverão ser solúveis em água, pois com os fosfatos naturais (insolúveis em água) o método apresentaria teores de P superestimados. Isto acontece, por quê?.
O método Mehlich-1 utiliza extratores ácidos, que têm a capacidade de dissolver as apatitas liberando P disponível. Ou, o fósforo lábil está ligado ao alumínio (Al), principalmente em solos ácidos, formando fosfatos de alumínio, sendo, nesse caso, indicado o método P resina que tem uma ação maior sobre esses compostos.
O método de extração P resina é o que tem apresentado melhor correlação com respostas das plantas à aplicação de adubos fosfatados. A extração tem analogia com a extração da planta. 
Por esses motivos é que a pesquisa desenvolve estudos de correlação e calibração de métodos de análise do solo. Senão, seria um problema, para quem faz interpretação de uma análise do solo. A correlação entre um método de extração de P e a resposta da cultura à aplicação de adubos deve existir sempre. 
Na fase de correlação são estudados vários extratores e validados aqueles que mais se aproximam da quantidade absorvida e acumulada pelas plantas, de um determinado nutriente. 
Na fase de calibração são definidos os pontos ou níveis críticos, bem como a quantidade de adubação a ser aplicada. 
Há uma variação entre os métodos de extração, de região para região, de experimentação para experimentação, de solo para solo, etc. Assim, no Estado de São Paulo utiliza-se o P resina, e nos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, o método Mehlich 1 é o mais utilizado. 

SILVA et al. (?) avaliaram a eficiência de extratores de fósforo em dois latossolos do Mato Grosso do Sul e concluíram que os métodos Mehlich 3 e Resina apresentaram maior sensibilidade às variações de solos. Quanto à eficiência, os extratores classificaram-se nesta ordem: Resina > Mehlich3 > Mehlich 1. O método Resina mostrou-se mais adequado para estimar o P disponível, independente do tipo de solo e a fonte de P que foi usada. Os teores de P extraídos pelos métodos Mehlich 3 e Resina se correlacionam entre si.

HOLANDA et al. avaliando a eficiência de extratores de fósforo para um solo adubado com fosfatos e cultivado com arroz, chegaram às seguintes conclusões: os melhores extratores foram Bray 1 e Resina na determinação do P disponível. O método Mehlich 1 apresentou alta correlação entre o P disponível, a produção de matéria seca e o P acumulado, quando não considerado os tratamentos com o fosfato natural de Araxá.

REFERÊNCIAS

HOLANDA, J. S. de; BRASIL, E. C.; SALVIANO, A. A. C.; CARVALHO, M. C. S.; RODRIGUES, M. R. L; MALAVOLTA. E. Eficiência de extratores de fósforo para um solo adubado com fosfatos e cultivado com arroz. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sa/v52n3/25.pdf> Acesso em: 3 Mai. 2013.

RAIJ, B. van; FEITOSA, C. T.; SILVA, N. M. Comparação de quatro extratores de fósforo de solos. Bragantia, Campinas, 43 (1); 17-29, 1984. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/brag/v43n1/03.pdf>  Acesso em: 03 Mai 2013.

RAIJ, B. van. Fertilidade do solo no Brasil - Contribuições do Instituto Agronômico de Campinas. IPNI International Plant Nutrition Institute, nº 132. Dez. 2010.

SILVA, W. M.; FABRÍCIO, A. C.; MARCHETTI, M. E.; KURIHARAS, M. E.; MAEDAS, S.; HERNANI, L. C. Eficiência de extratores de fósforo em dois latossolos do Mato Grosso do Sul. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pab/v34n12/6932.pdf> Acesso em: 3 Mai. 2013.

2 comentários:

  1. Bom dia Mestre,

    estou com uma análise em mãos, e gostaria que o senhor me tirasse uma dúvida,

    Na análise o fósforo aparece assim:

    P = 64,4 mg/dm³ ------------> esse fósforo já está prontamente disponível para a planta na forma iônica H2PO4- ??????

    Obs: Na análise só aparece o fósforo assim, não aparece fósforo disponível e nem fósforo remanescente!!!

    Desde já agradeço a atenção do senhor!

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    1. Desculpe Bruno, mas não tinha visualizado seu comentário por estar enquadrado em outra categoria, a qual não costumo visualizar. Seu segundo comentário me obrigou a procurá-lo.
      A análise do solo avalia o fosforo disponível no solo (P-lábil) e não o que está na solução do solo, na qual as raízes absorvem o nutriente. Quando cai o teor de P, o P-lábil o repõe, mantendo um equilíbrio solo/solução. Na solução do solo, a quantidade de P é muito pequena, em torno de 0,1 mg/L.
      A sua análise se refere a um solo adubado nos ultimos dois anos com fosfato natura? O método que foi extraido o P é o Mehlich 1? Porque neste caso, o Mehlich 1 superestima o teor de P disponível no solo. Neste caso, o melhor seria o P-Resina.
      A planta absorve o P de duas formas: H2PO4- nos solos ácidos e HPO42- em solos com pH maior que 6.0.

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