terça-feira, 31 de março de 2015

pH do Solo - Água e Cloreto de Cálcio

Em geral, os solos brasileiros são de características ácidas impondo sérias restrições ao desenvolvimento normal das plantas que se traduz em quedas de produção. Para isto o produtor tem que adotar práticas como a calagem. Pela calagem há neutralização da acidez do solo com consequente aumento do pH. Os nutrientes das plantas têm melhor disponibilidade na faixa de pH de 6,5 a qual é denominada a faixa ideal para a melhor assimilação dos nutrientes essenciais às plantas. A calagem é feita com a utilização de corretivos da
acidez do solo sendo o calcário o principal produto utilizado no meio rural. Pela calagem é adicionado Ca e Mg ao solo, aumenta as cargas negativas do solo, diminui a solubilidade do alumínio tóxico e do ferro, aumenta a retenção de cátions e favorece a maior disponibilidade do fósforo. A quantidade de calcário é recomendada pela pesquisa oficial em decorrência de trabalhos a campo para determinar a quantidade ideal em função do pH do solo e o pH requerido pela cultura. Como se sabe, algumas culturas são sensíveis enquanto outras são tolerantes à acidez do solo. São preconizados métodos para determinar a quantidade em t/ha: método de saturação por bases, neutralização do alumínio (Al) mais suprimento de cálcio e magnésio e outros.
LEIA:   O pH do solo e a disponibilidade de nutrientes

A mineralização intensa da matéria orgânica pode conduzir a erros como a superestimação da necessidade de calcário. O aumento da concentração de sais solúveis na solução do solo também pode conduzir a erros na determinação do pH em água. Este problema de sais solúveis pode ser minimizado pela determinação do pH do solo em CaCl2.

AQUINO SOUZA e ali cita que a aplicação de 1 t/ha de calcário elevou o pH em água do solo para a faixa de 6,0 a 6,5, ao passo que quando determinado o pH em CaCl2 foram necessárias 2 t/ha. O pH natural do solo era de pH em água de 5,61. Segundo os autores, a mineralização da matéria orgânica do solo teve influência no poder tampão do solo ocasionando as diferenças de pH determinadas em água e CaCl2.

A estocagem de amostras de solo úmidas antes da análise favorece o aumento de sais solúveis que vão causar variações no resultado do pH do solo. Há alterações nos valores de nitrato, sulfato, alumínio, pH e matéria orgânica.

CIPRANDI (1993) verificou que as modificações de pH em amostras estocadas depende do tipo de solo; a presença de sais solúveis reduz o valor do pH em água; a determinação do pH em CaCl2 0,01M reduz as variações entre tipos de solos e tempo de estocagem das amostras, dando valores 0,4 unidades inferiores ao pH em água.

PLIESKI et ali avaliando métodos analíticos para determinar a acidez em solos com alto teor de matéria orgânica chegaram à conclusão que o método do pH em KCl apresentou os melhores resultados.

A utilização do pH em água como índice de acidez pode ter algumas limitações devido aos diferentes tipos de solos. Solos com pH igual podem apresentar diferentes concentrações de Al tóxico na solução do solo. Mesmo em solos com pH baixo é possível obter-se boas produções se os níveis de Ca, Mg e K estão suficientes e o teor de alumínio seja menor que 0,6 cmolc ou 6,0 mmolc/dm³.

O pH em água ou em CaCl2 0,01M é determinado tomando-se 10 ml de solo mais 25 ml de água destilada ou de solução de CaCl2 0,01M agitando-se por 10 minutos e lendo-se o pH após uma hora. Outros recomendam um tempo de 3 horas. O pH SMP é determinado pela adição de 5ml da solução SMP agitando-se por 15 minutos a 220 rpm e deixa-se em repouso por uma hora e após lê-se o pH.

O pH em KCl mede a acidez no complexo argilo-húmico. Os íons  H do complexo são substituídos pelos íons K. O valor do pH KCl é sempre inferior ao do pH em água e esta diferença varia de 0,5 a 1,5 unidades.


CONCLUSÃO:


O pH em CaCl2 é, em média, 0,6  unidades  menores do que o  pH  em água em qualquer das relações solo:solvente. A acumulação de sais que são liberados pela mineralização da matéria orgânica durante o período de estocagem  das  amostras  úmidas, antes da análise, contribui  para  diminuir a acidez do solo. Isto é mais pronunciado nas  leituras feitas em água do que em CaCl2, A lavagem do excesso de sais das amostras incubadas  concorre  para aumentar o pH em água. As leituras de pH em CaCl2 são menos afetadas pela lavagem do que aquelas com pH em água.

REFERÊNCIAS:


AQUINO SOUZA, L.F.R. de; MARINHO, R.W.D; NUNES, F.M.; SILVA, R.V.; NASCIMENTO, I.O.; SILVA, W.A. da; Determinação do pH de um argissolo vermelho amarelo distrófico incubado com aplicação e doses crescentes de CaCO3 por diferentes métodos. Universidade Estadual do Maranhão, Imperatriz, MA. Revista Agroecossistemas, V5, Nº 2, pag. 58-63, 2013. Disponível em: <http://www.periodicos.ufpa.br/index.php/agroecossistemas/article/viewFile/1800/2230> Acesso em 28 Mar. 2015.

CIPRANDI, M.A.O; Avaliação da metodologia de determinação da acidez ativa e potencial em solos do Rio Grande do Sul. UFRGS. Porto Alegre, RS. 1993, Disponível em <http://www.ufrgs.br/agronomia/materiais/MariaArmindaOrtizCiprandi.pdf> Acesso em: 28 Mar. 2015.

5 comentários:

  1. Olá Gismonti...
    Sou leitora assídua de seus comentários sobre adubações e fertilidade de solo. Tenho uma questão sobre a qual gostaria de sua apreciação:
    Existe um produto novo no mercado, comercializado pela empresa NUTRICELER. Trata-se de adubo líquido para aplicação no sulco de plantio. Formulações a base de Fósforo e Potássio. O argumento é que fica 100% assimilável pela planta, já que o fósforo vem na forma de ortofosfato.
    Isto vem de encontro a utilização de semeadeiras equipadas apenas com caixa de sementes, aplicando-se o fertilizante sólido a lanço, antecipadamente, otimizando a operação do plantio (técnica que já vem sendo utilizada por vários produtores. A propósito, tb. gostaria de sua opinião sobre isto).
    O fertilizante líquido poderia ser aplicado no sulco de plantio, juntamente com o inoculante, equipando´se as semeadeiras com tanques.
    Existe outro produto no mercado (Penergetic) que objetiva a liberação do fósforo retido na solução do solo.
    Penso q. já está mais do que na hora de evoluirmos as técnicas de adubação, que ainda são as mesmas dos nossos bisavós, com aproveitamento de uma pequena parte do q. se aplica no solo. Sem falar nos preços, a base de US$$!!

    Aguardo suas considerações.

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    1. Eu sou da opinião que quando aparecem produtos novos, o produtor deve experimentá-los numa pequena área, não na área total, e observar o comportamento das plantas e a produção comparada com o restante da área como ele costuma fazer. Ou ele deve se apoiar nos resultados de pesquisas através de resultados de campo e a conclusão da validade de de utilizar estes produtos. Senão existe resultado de pesquisa, vale fazer testes na propriedade. Comparar o ganho conseguido com a produção e as despesas realizadas com a mudança de aplicar o líquido e o adubo em grãos.

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    2. Concordo com o Professor Gastão, quanto ao uso de novos produtos que surgem no mercado, precisa ter cautela, porque se até hoje ainda utiliza a pratica de adubação da épocas dos nosso bisavós é uma prova contundente que ainda não surgiu algo melhor com comprovação Cientifica, não devemos descartar novos métodos de aplicações desde que tenha recomendações dos Órgãos Oficiais responsáveis pela Pesquisa Agropecuária e tomar cuidado com modismo.

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  2. Professor, qual a importância de se determinar o pH em sal?

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