terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Os Benefícios do Silício (Si) para as Plantas

O silício (Si) é absorvido pelas plantas em grandes quantidades. Existem dados de que o arroz para produzir 5 t/ha, extrai do solo de 230 - 470 kg/ha de silício; equivalente a 500 - 1.000 kg/ha de sílica (SiO2).
O silício tem apresentado vários benefícios como: elevação da produtividade; maior resistência conferida à planta; regula a perda de água nas plantas; melhora a taxa de fotossíntese; aumenta a rigidez da estrutura dos tecidos; evita o acamamento pelo acúmulo de silício na cutícula da folha; não é tóxico; reduz os danos causados pela geada; benefícios comprovadas na soja, milho, trigo, cana-de-açúcar, e outras culturas. O silício (Si) absorvido pelas plantas acumula-se nas folhas formando uma barreira protetora contra o ataque de pragas e doenças, além de regular a perda de água por evapotranspiração. A razão disto é que o silício, na superfície das folhas, polimeriza e forma uma camada
dura, resistente e difícil de ser penetrada pelos insetos e fungos. A quantidade de água regula a polimerização: quanto menos água disponível para as raízes, mais polimerizado fica o silício. E quanto mais água, menos polimerizado fica o silício. Quando ocorre a polimerização, as plantas resistem melhor ao acamamento, pois ficam mais rígidas e, por consequencia, mais eretas. Outra vantagem é que os silicatos (fornecedores de silício) corrigem a acidez do solo. O silício, depois do oxigênio, é muito abundante na crosta terrestre. No solo, o silício encontra-se na forma disponível H4SiO4, o ácido monossilício. O silício é incluido como micronutriente. Muitos o consideram como um nutriente benéfico mas não essencial para as plantas. Mas pelos benefícios que apresenta, acredito que deve ser incorporado a qualquer recomendação de adubação e não ficar no esquecimento. Existem dois tipos de plantas, em relação ao teor de silício:
- plantas acumuladoras de silício: apresentam mais de 1% de silício no teor foliar;
- plantas não acumuladoras de silício: teor foliar menor que 0,5%.
O silício, nas plantas, concentra-se nas folhas e no caule, e, em boa quantidade, nos frutos.
Apesar dos solos dos Cerrados serem pobres em silício, as plantas nativas são consideradas acumuladoras de silício. Isto se deve à alta taxa de evapotranspiração, raízes profundas e o retorno do silício ao solo através da queda das folhas, e a transformação do Si em formas assimiláveis. A acumulação de silício nas folhas ocasiona uma dupla camada de sílica que provoca a diminuição na abertura dos estomatos, reduzindo a perda de água com redução da transpiração, resistência aos fungos e pragas.
No arroz, adubado com Si, a concentração do micronutriente forma-se abaixo da cutícula; a camada de sílica formada contribui para fortalecer a planta e dificultar a entrada de fungos.
Na cana-de-açúcar, a concentração de silício é menor nas folhas jovens, e maior nas folhas adultas.A cana responde muito bem à aplicação de silicatos, principalmente em solos pobres, que apresentem uma concentração de silício menor que 20 mg/kg. As Usinas que estão utilizando silício nas lavouras de cana estão tendo um aumento de produtividade de 30%.
Na soja, a concentração de silício nas folhas é baixa. Mas mesmo não se formando a dupla camada de proteção, a soja resiste ao ataque da cercosporiose. O silício, na soja, aumenta a formação de nódulos e a fixação de nitrogênio do ar nas raízes das leguminosas.
Em viveiros de mudas de café, foi constatado por Franciane Diniz Cogo et alli, da EAF Machado, 2008, que o uso de silicato de cálcio e magnésio, via solo, é eficiente no controle da doença fúngica Cercosporiose. A dosagem de maior eficiência é 200 g/m². As aplicações de silício iniciaram quando as mudas atingiram o estágio "palito de fósforo" e foram feitas aplicações a cada 30 dias, num total de três aplicações.
Pesquisadores do Centro de Ciências Agrárias - UFES, concluiram, através de um trabalho de pesquisa, que o óxido de magnésio e a escória de siderurgia apresentaram potencialidade de uso alternativo ao calcário, estudando doses de até 125% da necessidade de calagem pelo método de saturação por bases - V%.
Devido a estes benefícios do silício, a demanda de agrotóxicos diminui; há uma redução dos custos de produção das lavouras pela menor utilização de defensivos. Com isto a proteção ao homem, aos animais e ao meio ambiente é muito maior.
As fontes de silício são várias: as mais baratas são as escórias da siderurgia do ferro e do aço. São obtidas pela reação do calcário com a sílica (SiO2) presente nos minerais de ferro, à temperatura de 1.400 °C. O calcário pode ser o calcítico, o dolomitico e o magnesiano. As fontes de silício devem apresentar condições para fornecê-lo na forma solúvel às plantas, e corrigir a acidez do solo. Quanto mais fino for o produto, maior será a sua solubilidade. Por consequencia, a reatividade será maior, pois a reação com o solo será mais rápida, e o silício estará prontamente disponível para as plantas.

4 comentários:

  1. Muito proveitosas as informações! Sou agrônoma recém formada e quero começar a fazer uso da adubação silicatada! tenho umas dúvidas: se realizar-mos a adubação silicatada, eliminamos totalmente o uso do calcário? ou reduzimos apenas a quantidade? o silício tem antagonismo com algum elemento químico ? Agradeço desde já. Tamires Araújo.

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    1. muioto bom.

      trabalho na minha região com po de rocha silicatico e os resultados são otimos.
      anesio junior 43-96288889

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  2. Excelente texto! Posso por experiência própria confirmar as várias vantagens do silicato de cálcio e magnésio e diversas culturas porém, trabalho com silício em florestas a mais de 6 anos e tenho muito sucesso contra o ataque do Percevejo Bronzeado e Psilindeo de Concha fora a nutrição superior.
    Caso precise de informações sobre silício na silvicultura estarei a disposição no rm.consult.flor@gmail.com

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    1. Muito obrigado pela contribuição. Entre na nossa página no facebook (pode acessar pelo blog) e disponibilize esse endereço do seu email.

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