quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O Que é Rochagem ?


Rochagem vem a ser uma prática de recuperar a fertilidade em solos pobres e lixiviados pela utilização de misturas de rochas, o pó de rocha. A rochagem pode substituir o emprego de fertilizantes químicos com baixo custo e menor impacto ambiental. O uso de pó de rocha na agricultura, para diminuir a demanda de fertilizantes externos, foi aprovado pelo Senado Federal em 2012.
O pó de rocha apresenta uma série de vantagens como a liberação lenta e contínua de nutrientes durante todo o ciclo da cultura. Isto tem a vantagem da planta encontrar durante todo o seu ciclo os nutrientes liberados pelo pó de rocha. Além de reduzir os custos de adubação, pois se aduba menos frequentemente, e o pó  de  rocha  tem  um
efeito residual maior, o que beneficia as culturas seguintes.
No Brasil, existe uma corrente que aponta os fosfatos solúveis em água de serem melhor aproveitados pelas plantas, pois teriam uma solubilidade imediata e disponibilizariam mais rapidamente os nutrientes para as plantas. Entretanto, esta característica de maior solubilidade ocasionaria perdas de nutrientes por lixiviação (nitratos), por fixação (fosfatos). Esta afirmativa, de serem os solúveis os mais indicados, proporcionou um grande consumos de fertilizantes NPK solúveis, acrescentados de macros secundários e micronutrientes. Na década de 70 e 80 apareceram misturas de fertilizantes que misturavam as características dos solúveis em água e dos fosfatos naturais reativos insolúveis em água. Era preconizado que a mistura destas duas fontes proporcionaria uma disponibilidade imediata de fósforo (P), principalmente, para dar o arranque para a planta (fosfatos solúveis), e no decorrer do ciclo a parte insolúvel em água (dos fosfatos naturais) encarregar-se-ia de disponibilizar de maneira lenta e contínua o P para as plantas.
Com isto, por ser o pó de rocha insolúvel em água, a sua utilização é muito questionada o que vem impedindo um maior consumo do mesmo. Além disto, a necessidade de aplicar grandes quantidades para obtenção de ótimas produtividades é outro fator negativo. Mas se pensarmos em ambiente e agricultura sustentável, os pó de rochas tornam-se imprescindíveis.
A granulometria do pó de rocha é outro assunto que merece ser estudado, pois quanto mais fino o material maior será a área de exposição aos ácidos do solo e melhor a liberação dos nutrientes. Como acontece com o calcário: quanto maior a reatividade - RE (referente à granulometria) e maior o PN - Poder de Neutralização, maior será o PRNT - Poder Relativo de Neutralização Total. Estes são dois fatores que devem ser levados em conta quando pensamos em aplicar um calcário de qualidade.
O solo não é um meio estático servindo apenas para segurar a planta. Ele é um meio dinâmico possuindo acidez, ácidos fracos e uma população ativa de micro organismos, além da presença de matéria orgânica. Todos estes elementos são capazes de atacar um pequeníssimo grânulo do pó de rocha, provocar a sua dissolução e liberar os nutrientes para o solo e que vão ser absorvidos pela planta através do sistema radicular.
O ideal é utilizar uma mistura de grãos finos com grãos grossos. As finas proporcionariam uma liberação mais rápida dos nutrientes. Por sua vez, as partículas grossas liberariam os nutrientes mais lentamente. O tipo de solo tem um papel importante, pois ele deve apresentar uma vida microbiana intensa e ser bem provido de matéria orgânica.
O pó de basalto, proveniente das rochas basálticas, são ricas em cálcio, magnésio, potássio e silício e têm sido transformadas em pó para aplicação direta na agricultura. A presença de silício (Si) é um fator importante devido aos benefícios que este nutriente proporciona às plantas.

Estudos realizados na Universidade do Paraná por Motta (1992) e Feiden (1993) citados por Beneduzzi (2011) mostraram que a aplicação de 40 t/ha de pó de basalto provocou um aumento de P disponível do valor baixo para suficiente.

Na ESALQ, Kiehl (2002) utilizou pó de basalto para correção do solo nas quantidades de 50 a 100 t/ha em solos bem pobres para conseguir uma melhor fertilidade.

Segundo Pádua (2012) é possível substituir parcialmente os fosfatos solúveis em água por pó de rochas mantendo-se as produtividades equiparadas às obtidas com a utilização de somente solúveis em água.

As recomendações, em geral, são de 2t/ha para culturas anuais e perenes, com incorporação no solo. Nas frutíferas utiliza-se mais de de 2 kg/planta na formação da muda. Nas hortaliças a quantidade varia de 100 a 150 g/m². 

7 comentários:

  1. A dificuldade é encontrar pedreiras que queiram disponibilizar esta pó de rochas. Já contatei várias, mas existe pouco interesse ou quase nenhum em fornecer ou vender o pó de rocha.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. No Rio Grande do Sul existe na região da Serra, na cidade de Nova Prata. Não sei o telefone das empresas, mas um contato com a Prefeitura desta cidade é possível obter mais informações. Mas existem empresas que vendem este produto (visualizar no google).

      Excluir
    2. Bom dia Alexandre. Já conseguiu o pó de rocha? tenho Filer de Basalto para oferecer. Qual a quantidade que precisa e qual a região? Att. Marco - Pedreira Diabásio

      Excluir
    3. Bom dia!
      Estou precisando de pó de rocha, qual o seu contato?
      Aguardo

      Excluir
    4. Boa tarde Vander, já conseguiu o pó de rocha. Temos o pó de rocha de Ipirá. Qual a quantidade que precisas e sua região?

      Excluir
  2. O que fazer para usar o pó de rocha em solos pobres de matéria orgânica? Como os solos do cerrado por exemplo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A reação será melhor em solos com matéria orgânica . Solos desgastados e pobres em MO provocam reações lentas. Estes solos deve ser recuperados o seu teor de MO pela utilização de rotação de culturas e incorporação dos resíduos vegetais ou pelo aporte de adubos orgânicos.

      Excluir

Comente, manisfeste a sua experiência, a sua dúvida, utilizando a parte de comentários.