terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Mamoeiro (1) - Calagem e Adubação via Solo


O Brasil é o maior produtor mundial de mamão; a produção é de 1,8 milhão de toneladas (IBGE-2007). Os Estados principais produtores são a Bahia, no extremo sul, e o norte do Espírito Santo. Os tipos mais cultivados são o comum, o papaya, e o formosa. O solo ideal para a cultura do mamão é aquele que apresenta uma textura areno-argilosa: solos com 15 a 35% de argila e 15% de areia; solos profundos, permeáveis e com bom teor de matéria orgânica. O pH deve estar em torno de 5,5 a 6,7. Os fatores climáticos que infuem no cultivo do mamão são: temperatura e umidade relativa do ar; disponibilidade de água durante todo o ciclo. A cultura desenvolve bem em regiões com temperaturas médias de 25 °C e limites entre 21 e 33 °C. A precipitação pluviométrica deve ser de 1.500 mm por ano e com boa distribuição todos os meses. Onde há sistema de irrigação pode ser plantado todo ano. Caso contrário, no período das chuvas, e dias nublados. O mamão é muito exigente em água, e o produtor deve ter um sistema de irrigação onde não há chuvas periódicas.
O mamoeiro é muito exigente em nutrientes absorvendo altas quantidades, cujas exigências são contínuas no primeiro ano; os nutrientes nitrogênio (N), potássio (K) e cálcio (Ca) são os mais absorvidos. Com relação aos micronutrientes, o boro (B), o ferro (Fe) e o manganês (Mn) são os que a planta retira em maior quantidade.
Nitrogênio (N): depois do K é o mais exigido pela cultura, numa crescente e constante absorção durante o ciclo da planta. O nitrogênio sendo responsável pelo desenvolvimento vegetativo da planta, não pode faltar nos primeiros meses após o plantio. Por outro lado, a absorção de nitrogênio em excesso proporciona um crescimento exagerado do mamoeiro.
Fósforo (P): é o nutriente menos absorvido pela planta. Sua função é importante no desenvolvimento do sistema radicular proporcionando um maior crescimento das raízes e com isto os nutrientes do solo ficam à disposição da planta e a resistência à seca é maior porque as raízes vão mais longe em busca de água.
Potássio (K): é o principal nutriente para o mamoeiro; absorvido em grandes quantidades durante todo o ciclo da planta. É importante no desenvolvimento de frutos de qualidade, com altos teores de açúcar, e de grande tamanho. A relação N/K2O nos fertilizantes deve ficar próxima de 1; desequilibrios nesta relação podem afetar a qualidade dos frutos: casca fina, frutos moles, sabor alterado e crescimento excessivo das plantas.
Cálcio (Ca): depois do N e K, é o nutriente mais exigido pelo mamoeiro. Sua deficiência provoca amolecimento da polpa do fruto com menor resistência ao transporte e estragam mais facilmente nos pontos de vendas.
Magnésio: importante na fotossíntese e "carrega o fósforo" ajudando na absorção e translocação do mesmo.
Enxofre (S): participa da composição da papaína.
Boro (B): é o mais importante micronutriente: é absorvido em grandes quantidades e é responsável pela qualidade dos frutos e produtividade.
O produtor deve pensar, para ter uma produtividade considerável do mamoeiro, em analisar as terras onde vai ser plantada a cultura. Deve fazer a coleta de amostras de solos antes da semeadura. Para isto separar a área em glebas uniformes de 10 hectares: plantas com a mesma idade e variedade. Coletar o solo nas profundidades de 0-20 e 20-40 escolhendo 20 pontos. Colher a amostra de cada ponto e depois misturá-las bem e retirar uma amostra representativa de 500 gramo.

CALAGEM:
O mamoeiro apresenta bom desenvolvimento em solos com pH entre 5,5-6,7. Solos com teores de alumínio (Al) maior que 4 mmolc/dm³ e a soma Ca+Mg menor que 20 mmolc/dm³ devem receber a correção com calcário. A calagem é importante porque neutraliza o Al que é tóxico para as plantas, e disponibiliza os demais nutrientes criando condições favoráveis para as plantas absorvê-los. Além disto o calcário (dolomítico) fornece Ca e Mg para as plantas e aumenta a percentagem de saturação por bases (V%).
As lavouras de mamão situam-se em áreas de solos de baixa fertilidade por isto a necessidade de amostrar o solo e obter as reais necessidades de calagem e de nutrientes. Utilizam-se métodos de cálculo de necessidade de calcário (clique aqui) baseados em Ca, Mg e Al e o método saturação por bases (V%). Quando for usado o método de saturação por bases (V%), visa-se atingir V=80%. A calagem deve ser feita de três a seis meses antes do plantio. Quando o teor de magnésio for inferior a 9 mmolc/dm³ deve-se dar preferência a um calcário dolomítico com mais de 12% de MgO. Quanto ao cálcio, o teor mínimo deve ser de 20 mmolc/dm³. O uso de gesso agrícola é recomendado quando a camada superficial apresentar teores de cálcio menor que 3 mmolc/dm³ e alumínio maior que 5 mmolc/dm³. O gesso agrícola melhora o desenvolvimento do sistema radicular e o íon sulfato carrega o cálcio e magnésio para camadas mais profundas, reduzindo a toxicidade do alumínio. Se o produtor utiliza na adubação, como fonte de fósforo, o superfosfato simples, não há necessidade de usar o gesso agrícola; o supersimples contém sulfato de cácio.

ADUBAÇÃO VIA SOLO:
Vamos apresentar três tabelas que são a recomendação da EMBRAPA (Cruz das Almas - BA) e nas quais incorporamos as dosagem de fertilizantes minerais que devem ser aplicados para satisfazê-la em termos de nutrientes. Estas tabelas vão servir tanto para a adubação via solo como para a adubação via água. A diferença é na maneira de aplicar os nutrientes em periodicidade. Nesta postagem vamos abordar a adubação "via solo".
Adubação de plantio:
Utilizar na cova nitrogênio de fontes orgânica mais os fertilizantes minerais e mais a terra da cova (tabela 1). Após o plantio, a Tabela 1 recomenda as necessidades de NPK para serem aplicados mensalmente até o início da fase de folração e frutificação. Utlizamos a uréia como fonte de nitrogênio (45% de N); no caso de preferir o sulfato de amônio (contém S) basta multiplicar a dosagem de uréia por 2,25. Recomendou-se, como fonte de fósforo, supersimples (18% de P2O5) porque ele contém enxofre (S). Como fonte de potássio usamos o cloreto de potássio (60% de K2O).

Adubação posteriores e 2° ano
Na aplicação de fertilizantes minerais nitrogenados deve ser dividida o teor total e executar aplicações mensais. Os mais usados são a uréia e o sulfato de amônio. As tabelas estão especificadas com o uso de uréia; no caso de querer utilizar o sulfato de amônio é só multiplicar a dosagem de uréia por 2,25. Nas Tabelas 2 e 3 as recomendações NPK são baseadas na produtividade esperada: 30 a 70 toneladas por hectare.
As adubações com fertilizantes fosfatados devem ser feitas de dois em dois meses. A preferência deve ser para fosfatados que contenham enxofre (S). Pode-se melhorar os teores de fósforo no solo fazendo, antes da calagem, uma adubação corretiva (fosfatagem). Neste caso para solos com menos de 5 mg/dm³ de P usa-se de 3 a 5 kg de P2O5 para cada 1% de argila.
No cado dos fertilizantes potássicos, o mesmo deve ser fracionado como foi feito com o nitrogênio, e aplicado mensalmente. Os mais utilizados são o cloreto de potássio e o sulfato de potássio (50% de K2O).
Os micronutrientes podem ser aplicados na cova ou via foliar. O boro (Tabela 4) deve ser parcelado e aplicado duas vezes ao ano. Utiliza-se o Bórax (Borato de sódio) que possui 11% de B. Nas deficiências de boro, o crescimento da parte aérea e das raizes é afetado. Além disto os frutos são mal formados e apresentam-se encaroçados, com corrimento de látex pela casca.
Leia a  Parte 2 acessando:
O Mamoeiro (2) - Calagem e Adubação via Fertirrigação

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