terça-feira, 13 de outubro de 2015

Problemas Encontrados pelos Fosfatados quando Aplicados no Solo

Os fertilizantes fosfatados comercializados, com o objetivo de fornecer fósforo para as plantas, apresentam compostos de fósforo de grande solubilidade em água. Aplicados no solo, os grãos de fosfato reagem em solos úmidos e liberam de maneira imediata o fósforo - é uma disponibilidade imediata. Por casa disto, o fósforo contido nos grãos move-se apenas a pequenas distâncias no solo, a partir do ponto de aplicação. Geralmente esta distância é menos de 2 cm. Assim sendo, o volume de solo que foi enriquecido com a aplicação de fósforo é pequeno. Este volume tende a ser ainda menor quando se faz a aplicação de fosfatos no sulco em relação à aplicação a lanço.
O teor de solubilidade também influi sobre o volume de solo que foi afetado
pela aplicação destes fertilizantes. Comparando dois fertilizantes fosfatados, um de alta solubilidade com 80% de P2O5 solúvel em água e outro de baixa solubilidade de 16% do P2O5 solúvel em água, verificamos que naquele (alta solubilidade) o volume de solo é muito maior do que quando utilizado o de baixa solubilidade. Nos fosfatos de grande solubilidade, a zona de difusão será muito maior.
Afora isto, os fosfatos encontram no solo diversas situações que podem determinar uma baixa no seu grau de eficiência. Entre estes problemas encontramos:


RETROGRADAÇÃO DO FÓSFORO


Ele é comum em solos com alto teor de cálcio (Ca) em forma livre de carbonato de cálcio. A retrogradação converte o fósforo solúvel em uma forma tricálcica que não é aproveitada pelas plantas. Na obtenção de fosfatos solúveis, a indústria de produção de fertilizantes utiliza um fosfato natural (fosfato tricálcico) que é atacado por ácidos fortes para transformá-lo em fosfato solúvel prontamente disponível e assimilável pelas plantas. Portanto, quando o agricultor aplica fosfatado junto com calcário, ele está promovendo a volta do fósforo solúvel de alta disponibilidade para uma forma de fósforo tricálcica de baixa solubilidade. Dinheiro posto fora,  que vai doer no bolso daquele que realiza esta prática. É claro que este fósforo não fica perdido no solo para sempre, mas ele vai sendo atacado por ácidos fracos do solo, pelos micro-organismos do solo, pelos exsudatos ácidos liberados na ponta das raízes. Mas a sua disponibilidade de imediato, quando feita a aplicação no solo, é prejudicada.


FIXAÇÃO DO FÓSFORO


Isto se verifica nos solos ácidos e devido a presença do alumínio (Al) e do ferro (Fe). Esta fixação contribui para diminuir a eficiência dos fosfatos aplicados no solo, diminuindo o teor de fósforo que seria aproveitado pelas plantas. Por isto que se diz que em solos de condições ácidas - pH baixo e presença de Al e Fe - do total de fósforo aplicado no solo, as plantas aproveitam apenas 20 a 30%, limitando a eficiência agronômica destes adubos e a produtividade das plantas em grãos e frutos. O solo onde predomina a argila caulinita, com uma relação 1:1 entre a sílica e o alumínio, é uma outra maneira de fixação e dificulta a recuperação do fósforo pelas culturas.
Uma formulação de fertilizante contém, em geral, mais teores em garantia de fósforo do que nitrogênio e potássio. Por exemplo, formulações do tipo 05-30-15, 04-14-08, 10-30-10, 06-24-12, etc. Por outro lado, as plantas extraem mais nitrogênio e potássio do que fósforo. Mas como minimizar esta fixação do P no solo. A melhor prática, nestas condições, é o produtor fazer a calagem. Com a aplicação do calcário os íons OH- tomam lugar dos íons de fósforo e liberam o fósforo para a solução do solo.

Portanto, nos solos ácidos, ricos em Al e Fe, a calagem torna-se um imperativo, se o agricultor quer alcançar altas produções. Caso contrário, é colocar dinheiro fora com a compra de fertilizantes e aplicá-los em solos nestas condições. O intervalo entre a aplicação do calcário e um fertilizante fosfatado solúvel deve ser de 30 dias. Primeiro o calcário, depois o fosfato.
Para saber a quantidade correta de calcário o produtor deve fazer a análise do solo, coletando uma amostra média de diversos lugares da lavoura na camada de 0-20 cm  e mandar para um laboratório credenciado para proceder a análise.
Com o resultado da análise do solo, o produtor deve consultar a assistência técnica que lhe recomendará a quantidade correta de calcário e a quantidade de adubo e qual formulação. Porque ao aplicar calcário sem análise do solo, você corre perigo de aplicar de menos ou aplicar em maior dose. A aplicação de calcário em quantidade maior do que realmente o solo precisa provoca o que se chama supercalagem, que traz prejuízos para o solo e para absorção de macro e micronutrientes.


15 comentários:

  1. Olá professor.
    A cultura de eucalipto possui uma boa tolerância a solos ácidos e a teores teoricamente expressivos de Al no solo. Porém, como mencionado no texto, solos acidos dificultam a absorção do fosforo. Sendo assim, o que devemos priorizar: uma calagem baixa que eleve o ph apenas para condições suportaveis pelo eucalipto; ou não devemos economizar na calagem e aplicar um bom teor, sem excedentes, visando a liberação do fosforo? Desde já muito obrigado

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    1. http://agronomiacomgismonti.blogspot.com.br/2012/12/calagem-e-adubacao-do-eucalipto.html

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    2. Muito obrigado e parabéns pelo trabalho.
      Sou um verdadeiro fã do seu blog.

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  2. Ola Professor, A retrogradaçao do fosforo tambem ocorrera se eu utilizar Fosfatos naturais reativos? na hipotese de se fazer a calagem junto com a fosfatagem havera perda na eficiencia do fosforo?
    Obrigado

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    1. Os fosfatos naturais existe uma disponibilidade progressiva de fósforo. Ocorre, então, uma retrogradação do P mas em escala menor. A calagem deve sempre ser aplicada 90 dias antes do plantio, no mínimo, e 30 dias antes de uma adubação fosfatada.

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  3. Boa tarde professor, Gostaria de saber sobre esse intervalo de 30 dias da aplicação de calcário para a aplicação de fosfatos, no caso se eu aplicar o calcário e em 30 dias ou mais não chover, e logo nas primeiras chuvas eu for plantar colocando o fosforo no sulco, teria alguma perca? Obrigado

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    1. O que temos que levar em consideração é que o calcário tem que ser aplicado, no mínimo, 90 dias antes do plantio. O calcário leva este tempo para reagir no solo. Numa cultura de 120 dias de ciclo, o calcário aplicado um pouco antes do plantio, ele vai começar a fazer efeito no fim do ciclo da cultura. No caso de fosfatagem, o fosfatado deve ser aplicado trinta dias após a aplicação do calcário, para evitar a retrogradação do fósforo(reação do fosfato com o calcário).

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  4. Boa tarde a todos,

    Eu desenvolvi o AppGrow que realiza os cálculos para Calagem, Gessagem, Adubação para o Plantio da Soja e muito mais.
    Disponível no site: https://itunes.apple.com/us/app/appgrow/id1030900144?mt=8

    Obrigado a todos.

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  5. Professor,
    Estou iniciando minha irrigação em 1,7ha e estou encantado com o seu bolg. E gostaria de investi neste terreno para tornar alta produção de massa seca(vaca de leite) e e estou irrigando 2125 m2 por dia com 60mm de agua em 24 horas(rodizio de 8 dias)
    Analise:
    Água=5,3
    CaCl2=4,6; P=6mg/dm3; K=20,8mg/dm3; (Ca+Mg=1,7cmol/dm3);Ca=1,2cmol/dm3; Mg=0,5cmol/dm3; Al=0,3cmol/dm3; H=3,8cmol/dm3; MO=2,1%; Argila=45,7% ;Areia 40,7% 3 Silte=13,6%
    Gostaria de implantar um programação de aplicação de calcario(pnrt=75) e quais adubações nos proximos 90 dias inicias para recuperar o tempo perdido, não se preocupando com o custo mas deixar a terra otima para irrigação intensiva( maxima lotação por ha.Aguardo seus comentarios e sua resposta.

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  6. Bom dia,
    Tenho uma grande dúvida professor. Pode me ajudar?! Possuo um solo com pH em CaCl2 5,00 e pH H2O 5,6, Materia organica 19,71 g/dm3, Fósforo com 441,75 mgP/dm3, K 0,25 cmolc/dm3, calcio + magnesio 4,13 cmolc/dm3, Acidez total 3,92 cmolc/dm3 e aluminio 0,05 cmolc/dm3. Como faço para disponibilizar o fosforo retido?! ou isso que essa grande quantidade apresentada na analise grande parte esta disponivel?!

    Fico no aguardo.
    Obrigado

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    1. Não sei qual extrator de P foi usado. O método mehlich 1 usa um extrator fortemente ácido, extraindo P ligado ao Cálcio, ou fósforo dos adubos fosfatados recém aplicados. Em solos que receberam fosfatos naturais ele superestima o teor de P disponível.
      A análise foi retirada corretamente: A amostra foi bem acondicionada em saco plástico que não seja de adubo fosfatado? Esta amostra foi tirada recentemente de uma área que foi adubada com fósforo? O solo é argiloso?
      Leia:
      http://agronomiacomgismonti.blogspot.com.br/2013/05/os-metodos-mehlich-1-e-resina-na.html

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  7. Professor porque o adubo map ou uma formula tipo 6-40-10 que terá muito map não é recomendado a utilização em áreas novas de plantio soja. essa área vou fazer calagem e uma gessagem.

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  8. Professor porque o map ou uma formula tipo 6-40-10 que tem muito map na formula, nao é recomendada utilizar em plantio de áreas novas de primeiro ano de soja . Essa área foi feita calagem e gessagem.

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    1. O MAP é um fosfatado altamente solúvel e recomendado para a cultura da soja. O que pode acontecer, e são vários fatores, a falta de inoculação ou em dosagem pequena nestas áreas novas. Recomenda-se usar 3 x a dose de inoculante recomendada. O contado da semente inoculada com o adubo é outra forma de diminuir a eficiência. Não vejo a necessidade de usar uma fórmula com 6% de N, pode ser menos. Analise estes fatores e outros.

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  9. Pois me recomendaram usar super simples ou fórmulas baixas que tenha super simples . Porque terá mais enxofre e se fizer o uso do super simples terei mais dispobilidade de fósforo , pois vou aplica uma quantidade alta de super simples pra chegar a 140kg de P2O5 sendo terá melhor aproveitamento no solo. Sobre inoculante vou fazer 10 doses por há .

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