terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Relação Ca:Mg do Solo e o Ideal para as Plantas

Os solos brasileiros, em geral, são ácidos e pobres em nutrientes. Neste caso, o cálcio e o magnésio podem apresentar teores muito baixos. São nutrientes importantes e necessários ao bom desenvolvimento das plantas, traduzindo-se em aumentos de produtividade. Eles guardam uma relação entre si, a chamada relação Ca:Mg. No caso da soja, a EMBRAPA preconiza uma relação Ca:Mg igual a 3,5. A literatura recomenda uma relação entre 3-5 como a ideal para a maioria das culturas. Entretanto, devemos ter em mente que o excesso de cálcio inibe a absorção de magnésio, e vice-versa. Além disto, o cálcio melhora a absorção do micronutriente Boro: porém, quanto mais cálcio é usado, mais boro é absorvido pela planta. Na escolha do corretivo, para neutralizar a acidez do solo, é imprescindível considerar a relação Ca:Mg do produto.
Corretivos do solo com desequilíbrio nas quantidades de Ca e Mg podem provocar desbalanços nutricionais que comprometerão a produtividade da planta.
Quando o agricultor coleta uma amostra de solo e manda analisá-la, ele fica sabendo dos teores de nutrientes que este solo contém, ou seja, uma idéia da fertilidade e do que precisa ser feito em termos de recomendação de corretivos e fertilizantes. Entre estes nutrientes, o cálcio e o magnésio estão incluídos. Por exemplo: a análise acusou 0,3 cmolc/dm³ de Ca e 0,12 cmolc/dm³ de Mg. Neste caso, a relação Ca/Mg é igual a 2,5 (0,3/0,12). Portanto, a adição de um calcário dolomítico, no cálculo da necessidade de calagem, deve ser a escolha com a finalidade de manter ou aumentar esta relação original. Como a melhor relação Ca:Mg, para a maior parte das plantas, é entre 3 e 5, há necessidade de se aumentar esta relação. Acontece que mesmo com a adição de um calcário dolomítico não se consegue estabelecer a relação que desejamos, principalmente quando queremos aumentá-la. Há, então, a necessidade de utilizar um calcário calcítico para atingir o objetivo.
No slideshare abaixo, o leitor terá uma idéia de como calcular as proporções dos calcários dolomítico e calcítico para manter ou aumentar a relação Ca:Mg. Mas sempre considerar a relação Ca:Mg ideal para a cultura, pois relações muito altas podem comprometer a produção pelo antagonismo entre Ca e Mg, quando um deles está em excesso. Hernandez,R.J.Munoz & Silveira,R.I. verificaram, em pesquisa com milho, que uma relação Ca:Mg acima de 3:1 ocasionou diminuição na produção de massa verde e um decréscimo na produção da cultura, em virtude do antagonismo do cálcio na absorção do magnésio.

OUTROS ASSUNTOS
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Aplicação e incorporação do calcário
Lama de cal e cinzas como sucedâneos do calcário
Métodos para determinar a necessidade de calagem

9 comentários:

  1. Caro Colega

    "Entretanto,devemos ter em mente que o excesso de cálcio inibe a absorção de magnésio,e vice-versa".
    Nesta perspectiva,parece não serem descabidos,ainda que num condicionalismo diferente,os seguintes dados de dois ensaios de calagem com milho forragem regado.
    Ensaio 1-Calcário dolomítico
    Solo franco limoso:pH(água)-4,9;matéria orgânica-2,04%;magnésio de troca-6mg/100g de solo.
    %de magnésio do milho forragem(matéria seca):com calcário(0,33);sem calcário(0,26)
    Ensaio 2-Calcário calcítico
    Solo arenoso:pH(água)-4,8;matéria orgânica-1,16%;
    magnésio de troca-4mg/100g de solo.
    %de magnésio do milho forragem(matéria seca):com calcário(0,19);sem calcário(0,23)
    No Ensaio 1,comose vè,a % de Mg do milho subiu,o que era de esperar,dada a natureza dolomítica do calcãrio e o fraco teor de Mg de troca do solo. Quanto ao Ensaio 2,a calagem reduziu o teor de magnésio do milho,de acordo com o emprego de calcário calcítico e com o baixo teor de Mg de troca do solo.

    Esperando não ter abusado do seu espaço,desejo-lhe muito boa saúde,Caro Colega.

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  2. Caro Colega

    Como é sabido,e o colega tem apontado,nos antagonismos dos nutrientes figura o do par K-Mg. Trata-se,como se sabe, de uma das causas indutoras da tetania dos pastos,que o colega já referiu.
    Assim,em dois ensaios com luzerna de regadio,em que se usaram diferentes aplicações de cloreto de potássio,analisou-se o magnésio da forragem,ao longo dos quatro anos da cultura.
    Os teores médios de magnésio(% na matéria seca) adiante indicados,mostram,pode dizer-se,que o magnésio resistiu às "investidas"do cloreto de potássio(totais ao longo dos quatro anos:K0,K1-400,K2-800 e K3-1400 kg por hectare).
    Ensaio 1
    K0-0,39;K1-0,38;K2-0,34;K3-0,38
    Ensaio 2
    K0-0,41;K1-0,38;K2-0,42;K3-0,39

    Muito boa saúde,Caro Colega.

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  3. Bom dia...estou com uma dificuldade, se for possível me ajude...
    tenho uma análise de solo aqui que possui em (cmolc/dm3) 1 de Ca, 0,5 de Mg, sat.B 37,91%.Elevei o Ca para 3,34 e Mg p/ 1,11 relação 3/1.
    Utilizando calcário dolomitico 2,16 Ton/ha, e calcítico 0,94 ton/ha.
    A pergunta é, como que irei calcular para quanto vai a saturação por bases depois da calagem.
    se puder me ajudar será ótimo...
    desde já agradeço.

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    1. Leia:
      http://agronomiacomgismonti.blogspot.com/2011/01/calcio-e-magnesio-adicionados-pelo.html

      http://agronomiacomgismonti.blogspot.com.br/2012/07/percentagem-saturacao-dos-cations.html

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  4. Professor, se na camada de 00-20 e com um calcário 1% de Ca e Mg eu adiciono 0,0178cmol de Ca e 0,0248 de Mg, é correto afirmar que na camada de 00-10, no plantio direto eu adiciono, 0,0356 de Ca e 0,0496 de Mg?
    Me corrija se estiver errado, aguardo resposta, abraço.

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    1. Errado! se voce aplica 1 tonelada de calcário, cada 1% de CaO adiciona 0,0178 Ca e 0,0248 Mg, seja na camada de 0-20 ou 0-10. A quantidade é a mesma. Duas toneladas é que vão os 0,0356 Ca e 0,0496 Mg.
      Deve estar havendo uma confusão; Se a análise recomenda 5 t/ha de calcário para a camada 0-20, a aplicação na camada de 0-10 deverá ser reduzida para a metade, ou seja, 2,5 t/ha

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  5. Boa noite professor! Qual seria esse antagonismo entre o cálcio e magnésio quando a relação dos dois é estreita? Porque no caso da relação de Mg/K deve ser maior do que dois justamente pelo fato do raio hidratado do potássio ser menor do que o do magnésio e com isso a absorção do potássio pelas membranas são mais rápidas. No caso do magnésio e cálcio, devido a mesma Valência, o rádio hidratado não é o mesmo?
    Obrigado

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  6. Boa noite, professor. Eu estou diante de uma situação que não sei como resolver.
    O Ca da minha área está muito alto, e a relação com Mg está em 8,3; eu não sei o que fazer, pois o calcário contém cálcio e, eu não posso introduzir mais Ca no solo. Diante dos dados da minha análise de solo, eu gostaria que por favor, vc me orientasse sobre como devo proceder.
    RELAÇÃO ENTRE BASES %:cmolc
    M.O:17,8 , C.O:10,3 , CTC:23,0 , Sat.Bases:94,9 , Sat.AL:0,2 , Ca/CTC:82,9 , Mg/CTC:10 , K/CTC:2 , H+AL/CTC:5,1 , Ca/Mg:8,3 , Ca/K:42,4 , Mg/K:5,1.

    Desde já agradeço pelo apoio e atenção!

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    Respostas
    1. Pelos dados que vc enviou não vejo necessidade de fazer calagem. Somente uma reposição de K para atingir 5% da CTC e uma adubação com um fertilizante que contenha Mg.
      Leia:
      http://agronomiacomgismonti.blogspot.com/2010/04/saturando-com-potassio-ctc-ph-70.html

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