terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Importância das Micorrizas

Micorriza é uma associação mutualista que existe entre fungos e as raízes de certas plantas. Aqui, fungos e raízes não podem viver em separado. Associação mutualista quer dizer interação entre duas espécies que se beneficiam da mesma. Ela pode ser "obrigatória" ou "facultativa". Ela é obrigatória quando as espécies, em associação, não podem viver separadas. É facultativa, também chamada de protocooperação, quando as espécies, em associação, vivem indenpendente uma da outra, podendo trocar de parceiros.
As micorrizas são divididas em vários grupos, mas os mais importantes são as "ectomicorrizas" e os "endomicorrizas ou micorrizas arbusculares".
Os fungos ectomicorrizas pertencem à classe dos Basidiomicetos. As hifas do fungo formam invólucros em torno das raízes das plantas. São característicos dos Pinheiros, do gênero Pinus.
Os endomicorrizas arbusculares são da ordem Glomales. As hifas do fungo penetram nas raízes das plantas. As pesquisas têm demonstrado que as micorrizas arbusculares são capazes de aumentar a solubilização dos fosfatos, no solo.
As plantas, através do processo de fotossíntese, fornecem carbono e energia necessários à manutenção e reprodução dos fungos: por outro lado, os fungos absorvem água e nutrientes do solo, os quais alimentam a planta. Os fungos micorrizs arbusculares dependem dos carboidratos, produzidos pelo hospedeiro, podendo as raízes inoculadas utilizarem de 4 a 17% mais carbono do que as plantas não inoculadas. Os fungos micorrízicos podem aumentar em cem vezes a área de exploração do solo pelo sistema radicular das plantas, através da hifas extraradiculares.
Como já vimos, os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) são os mais importantes para o campo da Agricultura. Eles são capazes de formar micorrizas com 95% das espécies cultivadas e as mais cultivadas. A vantagem da associação destes fungos com as raízes das plantas se traduz num melhor desenvolvimento delas, em virtude da absorção de nutrientes, inclusive aqueles menos solúveis, como o fósforo, zinco e cobre. Com isto, benefícios são conseguidos desta associação, pois as plantas crescem mais fortes, mais produtivas e resistem melhor às adversidades de clima, pragas e doenças.  Isto é muito importante se considerarmos que os solos brasileiros, em geral, são de baixa fertilidade, ácidos, pobres em nutrientes e com grande carência de fósforo. Entretanto, deve-se levar em consideração que nem sempre o FMA contido no solo é o mais indicado para proporcionar benefícios para as plantas. Neste caso, há necessidade de selecionar as espécies de FMA mais eficientes para cada cultura. E o emprego destes FMA mais eficientes para as plantas, chama-se "micorrização". O efeito da micorrização aparece a partir do terceiro mês. O processo de micorrização pode ser inibido pela elevada fertilidade, pela erosão do solo, pelo desmatamento, pelas queimadas, pelo uso de inseticidas sistêmicos. No caso das queimadas, há uma perda permanente de micorrizas que estão adaptadas às condições locais: neste caso, é preciso uma reintegração dos fungos micorrízicos. Nas plantas perenes, a micorrização é procedida na formação das mudas, o que garante mudas de melhor qualidade, mais vigorosas. As mudas já partem com uma boa alimentação de nutrientes. Esta prática já está sendo feita em frutíferas, como mamão e maracujá, com a finalidade de produção de mudas para o transplante. Trabalhos de pesquisa mostram que mudas de pimenta-do-reino não cresceram em solos sem a inoculação com fungos micorrizas, mesmo com a aplicação de adubos químicos. Por outro lado, a inoculação com FMA aumentou em até 10.000% a produção de matéria seca, no solo que recebeu adubo. Nas mudas pimenteiras de estacas, a micorrização  aumentou a absorção de N,P,Ca, principalmente nas mudas estacas inoculadas com Scutellospora gilmorei. Como as plantas onde foi feita a micorrização são mais produtivas e resistem melhor às pragas e às doenças, foi constatada uma redução de 50 a 80% na incidência da Fusariose em pimenta-do-reino.
A micorrização é importante, também, para a sucessão de florestas, recuperação de solos degradados. Entretanto, há contestações que nos solos degradados a micorrização não produz efeitos sobre a planta hospedeira.  Talvez no início do processo, mas com a recuperação dos solos degradados, ao longo dos anos, poderão haver respostas à micorrização. Em solos degradados, na área de mineração, os fungos micorrizas contribuem para que as plantas tenham maior tolerância aos metais pesados.
A aplicação de fósforo (P) pode aumentar os efeitos da micorrização: por isto é que a inoculação de FMA está obtendo sucesso naqueles solos que apresentam um nível adequado de fósforo, e os fungos apresentam alta infectividade. A micorrização é um importante mecanismo para maximizar a eficiência dos fertilizantes fosfatados em solos deficientes e que apresentam uma alta fixação do fósforo. O produtor pode conseguir reduzir os gastos com fertilizantes, que se traduz numa economia.
Nas frutíferas, os fungos micorrizas proporcionam grandes benefícios. As plantas cítricas dependem muito das micorrizas na disponibilidade de nutrientes, caso do fósforo para os porta-enxertos. O enfezamento das plantas cítricas é ocasionado pela falta de fungos micorrizas, quando, antes, se responsabilizava e se atribuia à toxicidade do solo. Outras frutíferas, como abacate, abacaxi, acerola, banana, mamão, maracujá, manga, apresentam um maior crescimento e resistência das plantas quando inoculadas com fungos micorrizas, durante a produção de mudas. Santos,A.A. & Campos.O.R. realizaram um experimento com tomateiro estaqueado, onde as plantas foram inoculadas com fungo micorriza, mais calagem e adubação, e observaram que o tratamento NPK + micorrizas foi o que apresentou maior desenvolvimento e produtividade das plantas. À medida que aumentaram a dosagem de micorrizas, a produtividade do tomateiro também aumentava.
Nos solos, os fungos micorriza têm a capacidade de agregar as partículas. Eles produzem uma proteína, a glomalina, que é responsável por 7% do carbono presente no solo, ou seja, os fungos micorriza favorecem o sequestro do carbono.
A tecnologia de inocular as raízes ainda não está disponível em grande escala. Então, o produtor deve permitir que os micorrizas proliferem na lavoura, naturalmente, adotando medidas, como: não revolver muito o solo; evitar a utilização de máquinas e implementos agrícolas pesados na lavoura; diversificar a plantação; não aplicar produtos químicos em excesso. A rotação de culturas, a diminuição do uso de fertilizantes e produtos químicos, e o sistema de plantio direto (SPD) são as formas de aumentar a população e a atividade microbiana do solo.

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